Diretores – John Ford

O diretor bem à vontade entre os astros de "O homem que matou o facínora".

O cineasta bem à vontade entre os astros de “O homem que matou o facínora”.

John Ford não inventou os faroestes no cinema. Mas os consolidou de tal forma que é difícil desassociar uma coisa da outra. De modo que, é só falar no gênero e vir o nome do grande diretor norte-americano à cabeça. E quando ele morreu, em 1971, aos 77 anos, este sentiu tão abandonado e só que também resolveu sair de cena. Ou você tem visto bons faroestes por aí de lá para cá? E olha que John Wayne ainda estava vivo para contar suas histórias. E só podia ser ele, o grande ator de seus filmes, por que Clint Eastwood tinha outro manequim. “Meu nome é John Ford. Eu faço westerns”, resumiu o mestre de forma simples e pragmática certa vez.

Mas Ford não dirigiu apenas caubóis destemidos cruzando o imponente Monument Valley (deserto do Arizona cheio de formações rochosas fantásticas) ou saloons infestados de vilões jogando cartas. Uma espetacular retrospectiva de sua obra realizada pelo CCBB, recentemente, mostrou que o grande cineasta flertou com todos os gêneros, pelos quais se deu tão bem quanto os clássicos faroestes que dirigiu, mas era fazendo bang-bang que o mestre deixou sua marca. “Quando a lenda é maior do que o fato, publica-se a lenda”, é uma frase famosa de um de seus filmes. Precisa dizer mais alguma coisa?

Nascido em 1894, filho de imigrantes irlandeses, John Ford – um dos principais ídolos de Glauber Rocha -, começou cedo no cinema, quando este ainda era uma criança levada engatinhando, e ali aprendeu fazer de tudo até chegar aonde chegou. Um contador de histórias nato tinha uma noção de perspectiva e enquadramento clássicos, mas marcantes e poucos diretores como ele narrou os primórdios da América em imagens. Em poucas palavras, não resta dúvida de que John Ford foi um dos grandes artistas do século 20.

No tempo das diligênciasTop Five – John Ford

As vinhas da ira (1940) – Não é só a melhor atuação de Henry Fonda no cinema, mas uma das mais marcantes de todos os tempos. Baseado obra homônima de John Steinbeck, o filme traz narrativa áspera e dura, como tinha de ser, ao narrar um dos episódios mais negros da história dos Estados Unidos.

Rastros de ódio (1956) – Astro de 16 filmes do diretor, John Wayne encarna aqui um veterano da guerra da Secessão que descobre que sua família fora dizimada por índios. Tido como um dos melhores faroestes de todos os tempos, uma espécie de paradigma para o gênero, o filme surpreende pela sutileza com que o diretor aborda temas como identidade e adultério.

O homem que matou o facínora (1962) – A forma irônica com que John Ford talha a complexidade do caráter de seus mocinhos é visível aqui a olho nu a partir das soberbas atuações de John Wayne e James Stewart. Que dupla infernal. A essência do filme está reservada na última frase. Jogada de mestre.

No tempo das diligências (1939) – Clássico dos clássicos do gênero faroeste, a fita talvez seja a primeira em que o cineasta cristalizou nas telas as exuberantes paisagens do Monument Valley. Nas entrelinhas das imagens, numa longa e perigosa jornada rumo ao desconhecido, a essência distorcida de uma América com todas as suas contradições e hipocrisias.

Depois do vendaval (1952) – Afetivamente é um dos filmes que mais gosto de John Ford e não me pergunte o motivo. Deve ser pelo romantismo da fita que faz uma homenagem às origem irlandesas do diretor.

* Este texto foi escrito ao som de: Manassas (1972)

Mannassas

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