Em algum lugar no passado (1980)

No filme, nosso eterno homem de aço é avariado no coração por um amor platônico

No filme, nosso eterno homem de aço é avariado no coração por um amor platônico

Uma pena que o ator Christopher Reeve tenha ficado estigmatizado no papel do Superman mais legal que já fizeram na história do cinema. Por que além de galã, o astro dos anos 70 e 80 era um bom ator. Uma boa chance de conferir esse lado do cara é no romance dramático Em algum lugar do passado (Somewhere in time – 1980). Baseado em livro de Richard Matheson publicado em 1975, o filme tem direção do francês Jeannot Szwarc, que começou a carreira dirigindo seriados para tevê como Kojac e ficou notabilizado pelo fracasso retumbante de Tubarão 2 (Jaws – 1978).

Somewhere in time não é lá essas coisas no conjunto. Tem um roteiro fraco, cheio de problemas, mas conta com bela direção de arte e figurinos, além de boas atuações de Reeve, da bela Jane Seymour e, claro, de Christopher Plummer, na pele do antagonista da trama. O clima romântico que perdura do meio da fita até o fim da fita é emocionante para os piegas de plantão como eu.

Na história, o eterno Superman é Richard Collier, um dramaturgo novato que recebe no dia da estreia de sua primeira peça a visita de misteriosa senhora que lhe entrega um relógio de bolso dizendo: “Volte para mim”, diz a figura fantasmagórica.

Em algum lugar no tempo 2Encafifado com o episódio, com a estranha mulher, com o objeto antigo que guarda como relíquia, o artista se mostra obcecado em descobrir o paradeiro dela, vindo a saber se tratar de uma famosa atriz de teatro dos anos 10. Ao voltar no tempo – numa sequência sórdida e fake , ele se surpreende ao perceber que ambos têm mais em comum do que supõe a distância do tempo, do espaço, da ciência.

“É possível viajar no tempo?”, pergunta ele a um professor de filosofia dos tempos de faculdade. “É você?”, diz ela, indecisa, no primeiro encontro deles lá pelo ano de 1912.

Elegante, seguro no papel, Christopher Reeve bem que tenta dar o melhor de si, mas o roteiro inócuo escrito pelo próprio autor do livro que deu origem ao filme, não colabora. A passagem em que o seu personagem viaja no tempo em busca do grande amor de sua vida é tão fajuta e deprimente na sua falta de lirismo que dá vontade de desistir do resto da fita. Prefiro mil vezes o tosco seriado Voyagers – Os viajantes do tempo,lembra?

Mas não deixa de ser sedutora a ideia da remota possibilidade de viajar no tempo só para ir atrás da mulher da sua vida. Qual romântico empedernido não teria vontade dessa jornada afetiva? Aliás, temas como obsessão e adoração platônica são pertinentes na trama, questões pelas quais me sensibilizo de forma pessoal e dolorosa. Se eu tivesse essa chance, ia adorar cair nos braços da linda garota de sorriso mágico que há tempos vem iluminado meu escuro coração.

* Este texto foi escrito ao som de: Rapsodia sobre um tema de Paganini (Sergei Rachmaninoff – 1934)

Rachmaninoff

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