Diretores – Beto Brant

O cineasta paulista é um dos nomes mais expressivos do cinema de retomada

O cineasta paulista é um dos nomes mais expressivos do cinema de retomada

Esbarrei com o Beto Brant no Festival Internacional de Cinema e Vídeo (FICA), em Goiás Velho (GO), este fim de semana. Não é que o cara bateu o olho em mim e me reconheceu de outros carnavais! “E aí, cara, eu conheço você!”, disse ele logo quando me viu em frente ao Cine Teatro São Joaquim. “Ué, te entrevistei algumas vezes em Brasília”, respondi, refrescando a memória dele e já marcando outra entrevista para o dia seguinte.

Fiquei surpreso pelo gesto dele porque ele é um cara temperamental e imprevisível. A gente nunca sabe quando como vai ser a reação dele. Enfim, já o vi mandando um diretor de Brasília à merda sem pestanejar anos atrás.

Paulista de Jundiaí, Beto Brant é um dos nomes mais expressivos do cinema de retomada no Brasil. Apesar de uma cinematografia curta, o cineasta de 50 anos tem no currículo obras marcantes que sacudiram o cinema nacional nos últimos quase 20 anos pelo estilo vibrante e iconoclasta. Um fator importante contribuiu para que isso acontecesse, a bem-sucedida parceria com escritor Marçal Aquino, co-roteirista de todos os seus filmes.

Juntos, eles construíram tramas viscerais e personagens brutos, sem nenhum escrúpulo. Nos filmes de Beto Brant não há linha separando o bem e o mal porque todos somos vítimas e vilãs do sistema. Em bate-papo com ele em Goiás Velho (GO) o diretor me disse que trabalha no momento num documentário sobre o ator Antônio Pitanga. Estou ansioso para ver isso.

Top Five – Beto BrantO invasor

O invasor (2001) – Adaptação de livro homônimo escrito por Marçal Aquino, o filme, assim como Amarelo manga de Cláudio Assis, me deixou extasiado quando o vi pela primeira vez nos meus tempos de faculdade. Mais de 10 anos depois, os personagens canalhas dessa trama amarga ainda parecem estar zanzando por aqui num Brasil que parece que não quer dar certo. Atuação do titã Paulo Miklos, aqui em sua estreia como ator, é um sundae.

Os matadores (1997) – Primeiro longa-metragem do diretor, o filme mergulha o espectador numa sinuosa narrativa que vaga perdida entre o passado e o presente, tendo como premissa tema bíblico, a traição. Se Marçal Aquino nos surpreende com a ambientação e clima ásperos de suas histórias, já no seu primeiro trabalho de peso, Beto Brant mostrou que, além de talento para contar boas histórias, também sabe dirigir atores. E grandes atores.

Eu receberia as piores notícias dos seus lindos lábios (2011) – Mais uma vez trazendo personagens à margem dos grandes centros urbanos, o filme dividiu a opinião da crítica e do público. Linda, Camila Pitanga impressiona na construção da insegura e confusa Lavínia, uma mulher aprendendo a lidar com sua crise moral. A entrega dela à personagem impressiona. Como pano de fundo os conflitos em torno do desmatamento na região do Pará.

Crime delicado (2005) – Outro trabalho que dividiu público e crítica, o filme, baseado em livro homônimo de Sérgio Sant’ Anna, aposta no bizarro para discutir as nuanças perigosas do ciúme numa relação afetiva em construção. Deficiente física, a atriz Lilian Taublib causou sensação.

Cão sem dono (2007) – Beto Brant foi um dos primeiros intelectuais a reconhecer o talento do jovem escritor Daniel Galera, quando adaptou essa história baseada num livro do autor gaúcho. Impecável em cena, o ator Júlio Andrade é um jovem desmotivado que vê sua vida esvai de vez quando descobre que uma paixão do passado está com câncer.

* Este texto foi escrito ao som de: Õ blésq blom (Titãs – 1989)

O blesq blom

 

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