Godzilla (2014)

Sai da frente que a fera está solta... Nova versão do clássico japonês empolga

Sai da frente que a fera está solta… Nova versão do clássico japonês empolga

Como era bom chegar as férias do meio ano só para eu e meu irmão gêmeo (que é muito mais normal do que eu) zarparmos para Brasília e curtir as novidades que a gente não tinha no interior de Goiás. E uma delas, veja só, era ver a versão em desenho animado da Hanna-Barbera para o clássico japonês Godzilla, exibido aqui no Brasil pela extinta tevê Manchete. Não sei por que cargas d’água a Manchete não pegava no interior de Goiás! Pelo menos não na antena lá de casa.

Uau! Como era legal ver o monstrengo verde entrar em ação e detonar tudo o que encontrava pela frente. Era só acionar um botão vermelho que fazia tan-na-na e lá vinha ela cheio de fúria e os dentes todo arreganhados. Aliás, além do Godzilla, outra atração japonesa que eu adorava ver era Spectreman, um andróide descolado que defendia a terra de horrendas criaturas extraterrestres.

Foi com essas lembranças nipônicas que outro dia assisti extasiado ao festejado Godzilla, em cartaz em zilhões de cinemas pelo país. O filme, dirigido pelo britânico Gareth Edwards, é diversão do primeiro ao último minuto. Confesso que superou minhas expectativas, que já eram boas. A trama todo mundo conhece. Após testes nucleares realizados pelos EUA, alguns gigantes pré-históricos são ressuscitados, causando terror e destruição no Japão, na América, enfim, em todo o resto do mundo. Entre eles está um réptil feroz que a humanidade aprendeu a odiar, mas que também guarda um velado gesto de comiseração por ele. Sim, porque ele é um monstro do mal que faz o bem e quem conhece a história do Gojira sabe do que estou falando.Godzilla

“Mãe, olhe, um dinossauro!”, diz inocente um guri, que podia ser qualquer um de nós, diante da televisão.

A habilidade com que o diretor Gareth Edwards dosa pirotecnia visual, suspense e dramaticidade, é louvável. É cinema espetáculo da melhor qualidade que há tempos não via no cinema. O monstro mais querido da face da terra demora entra em cena, mas quando isso acontece é arrebatador. Também assustador. As cenas dos duelos entre os titãs são de tirar o fôlego e tem gosto de nostalgia, pois lembram aquelas montagem toscas feitas com maquetes que víamos pela televisão. De mais a mais, os primeiros 15 minutos do filme, com a linda Juliette Binoche desfalecendo diante de um acidente radiotivo são de cortar o coração, assim como a tragédia pessoal vivida pelo ótimo personagem do ator Bryan Cranston.

O humor e ironia com que algumas falas surgem são exemplares, algumas delas caras às barbaridades causadas pelos americanos no passado, como o fantasma da bomba atômica. “A nossa prioridade são os cidadãos”, diz um pedante militar que é lembrado imediatamente sobre o atentado que chocou o mundo, quase sessenta anos depois. “A arrogância do homem é achar que a natureza está sob o nosso controle, quando na verdade é o contrário”, alerta o cientista vivido pelo ator japonês Ken Watanabe.

Claro que etnocentrismo infantil e ridículo norte-americano se esquece das origens japonesas dos criadores de Godzilla, se colocando como os salvadores da pátria, mas se eles têm a maior fatia do bolo na produção, que mal há nisso?

* Este texto foi escrito ao som de: Think tank (Blur – 2003)

Think tank

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