Diretores – Ethan e Joel Coen

Estilosa homenagem da dupla de irmãos ao gênero noir

Estilosa homenagem da dupla de irmãos ao gênero noir. Billy Bob Thornton impecável

Depois dos irmãos italianos Paolo e Vittorio Taviani, a outra dupla fraterna que mexeu comigo no cinema foram os Coen – Ethan e Joel -, e por um motivo muito simples. Eles têm o que hoje anda raro em Hollywood e, sobretudo, no cinema nacional: ousadia. As tradicionais esquisitices dos filmes que escrevem, dirigem e produzem é o ponto alto de uma carreira que começou em 1984, com o suspense Gosto do sangue.

E com ousadia e rebeldia criativa eles têm subvertido a lógica do cinema, reconstruindo, reinventando e refletindo sobre o cinema que fazem e aquele que se desenvolve em volta deles. Às vezes acertam, às vezes não. Os acertos são bem maiores e inesquecíveis, vide o perturbador Onde os fracos não têm vez. O primeiro filme que vi da dupla genial foi O homem que não estava lá (2001), uma homenagem ácida ao cinema noir dos anos 40 e 50, com o ótimo Billy Bob Thornton como protagonista. De lá para cá não paro de me surpreender.

Seja com roteiro original ou adaptado, o lance de Ethan e Joel é fazer anarquia em cima da lógica apresentando personagens com nomes estranhos, situações bizarras e arremate exemplar. Os roteiros malucos cheios de referências, reviravoltas e surpresas sempre deixam o espectador, para o bem ou para o mal, de queixo caído. Acredite, você não encontrará clichês em seus filmes, ao não ser como elemento irônico.

É de artistas criativos e provocadores assim que o cinema seja lá onde ele for feito, precisa.

Ethan e Joel Coen – Top five

Onde os Fracos Não Têm VezOnde os fracos não têm vez (2007) – Baseado em romance homônimo de Cormac McCarthy, o filme – Melhor filme, direção, roteiro adaptado e ator coadjuvante (Javier Bardem) -, reinventa o gênero cinematográfico americano por excelência, o faroeste, com boa dose de ironia e provocação. O roteiro é uma verdadeira engenharia narrativa e as atuações estupendas, com o espanhol Javier Bardem dando show como um serial killer meio futurista.

O homem que não estava lá (2001) – Homenageando outro gênero norte-americano, o noir, narra a história real de Ed Crane (Billy Bob Thornton), um barbeiro que se mete em enrascada por causa de US$ 10 mil dólares. A moral é bem simples: o crime não compensa, mas quem são os vilões e os mocinhos? O cuidado e beleza da direção de arte sufocam.

E aí, meu irmão, cadê vocês? (2000) – A relação que tenho com essa comédia dramática é quase afetiva. Norteado pelo absurdo e surrealismo, eles contam a história de três prisioneiros (George Clooney, Tim Blake Nelson e John Turturro) que escapam da prisão durante a grande Depressão Americana. A melhor parte é quando o trio se disfarça de um grupo caipira, mandando vê no microfone.

Barton Fink – Delírios em Hollywood (1991) – Cheio de referências a ícones da cultura americana, narra as desventuras de um dramaturgo que se vê engolfado pelo medíocre esquema hollywoodiano de fazer cinema. As coisas se complicam com a chegada de um vizinho de quarto bem maluco. John Turturro e John Goodman em atuações impecáveis.

Gosto de sangue (1984) – A poderosa estreia dos irmãos Coen é tida por especialistas como a obra-prima da dupla. Realizado em clima de produção independente, é um suspense cheio de surpresas, trazendo o que o Texas tem de pior. Poucas vezes o espectador foi cativado com tamanho cinismo e crueldade.

* Este texto foi escrito ao som de: The wild, the innocent & the Street Shuffle (Bruce Springsteen – 1973)

Bruce Springsteen - The wild

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