Patriota de verdade na quer a Copa

O povo brasileiro é tão devagar que ainda acredita na política do pão e circo...

O povo brasileiro é tão devagar que ainda acredita na política do pão e circo… Eu, não!

As ruas já começaram a ficar tomadas por todos os lados pelas cores verde e amarela.  Daqui uns dias será uma epidemia, mas por enquanto elas estão estampadas em cima dos carros e nas janelas de algumas casas e prédios. Também no peito das pessoas, embora muitos acreditem que houve um tempo em que elas eram bem mais abundantes. Eu nunca tive uma camisa canarinho e nem quero ter. Não preciso vestir a camisa com as cores do Brasil para mostrar ou provar que sou patriota. Patriotismo para mim é outra coisa.

Significa, por exemplo, sair em defesa do país como fez o cineasta gaúcho Jorge Furtado diante de declarações estapafúrdias como a do ator Wagner Moura, que acha que é o garoto da cocada preta. Se ele acha que a situação aqui está sufocante que vá embora e não volte nunca mais. Eu até tenho vontade de ir embora e não voltar nunca mais, mas por outros motivos.

Ser patriota de verdade para mim significa não querer a Copa do Mundo no Brasil. Do ponto de vista social é um erro hediondo. Do ponto de vista econômico é de uma estultice cavalar, mas vá dizer isso aos governantes autistas que só pensam em tirar proveito da situação. É aquela velha história, se fôssemos uma referência na educação, saúde e segurança tudo bem, mas do Oiapoque ao Chuí as três situações estão um caos e parece não ter uma luz no fim do túnel com relação à questão.

Trazer a Copa do Mundo para cá é querer engabelar a massa ululante que não sabe distinguir a Copadiferença de uma trombada entre uma carreta e uma bicicleta e o colapso da humanidade. Essa política do pão e circo está tão capenga e ultrapassada quanto a administração pública no Brasil. Não cola mais, mas tem bobão que cai que nem um pato. “O povo merece o governo que tem”, já disse Mahatma Gandhi certa vez. É a mais pura, crassa e hedionda verdade. Fazer o quê?

E quer saber? Para mim, se o Brasil levar o caneco vai ser na base da corrupção, porque com esse futebol que a seleção está jogando até o time de várzea aqui do meu bairro joga melhor.

Ser patriota para mim é querer o bem para o nosso país e isso não se reflete apenas no dinheiro que os turistas vão trazer para cá durante a Copa, mas no retorno honesto e eficiente desse montante em ações sociais dignas. Não sei se o Brasil é o país do futebol, está mais estigmatizado pelo país da corrupção e das mazelas. E a apatia do povo diante da situação é algo constrangedor e ridícula. Sim, porque essas manifestações de meia tigela têm efeito de um carnaval de muriçocas, só isso.

Duvido se na hora do vamos ver, ou seja, no dia de um Brasil x Croácia, por exemplo, neguinho vai sair por aí para fazer baderna. Se eu pudesse, se tivesse grana, ia para o Alasca ou Nepal. Mas como isso não rola, não vou ficar aqui enchendo o rabo de cachaça e torcendo por um Brasil que há tempos não está dando certo. Tanto no futebol, quanto na política.

Ser patriota hoje em dia para mim é não torcer pelo Brasil. E sendo bem espírito de porco, quero que tudo dê errado durante o Mundial. Quem sabe assim, com nossos erros mais profundos, não tiramos uma lição. A última vez que torci de verdade para seleção brasileira foi em 1986. De lá para cá nem para o Brasil nação eu ando torcendo mais. Desta vez não contem comigo.

* Este texto foi escrito ao som de: Assim caminha a humanidade (Lulu Santos – 1994)

Lulu Santos - Assim caminha a humanidade

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