As virgens suicidas (1999)

Filme impactante foi a estreia de Sofia Coppola como diretora

Filme impactante foi a estreia de Sofia Coppola como diretora

O título parece de uma daquelas histórias deliciosas do Nelson Rodrigues, mas trata-se do primeiro filme da Sofia Coppola. E que estreia! Uaaau! Ah, sim, o sobrenome é auto-explicativo e auto-referencial, mas para aqueles que não sabem, a moça em questão é nada menos do que filha do grande cineasta Francis Ford Coppola. Precisa dizer mais alguma coisa? E quer saber? Eu a acho sim, uma gatinha e daí?! Baseado em romance de Jeffrey Eugenides, o filme é um daqueles dramas adolescentes pesados de deixar qualquer um arrasado durante e depois da sessão. Eu mesmo vi o filme que, há tempos estava com vontade de assistir, outro dia, no Telecine Cult, e fiquei chocado com a coragem da jovem diretora. Ou seja, começar assim sua carreira com uma obra tão impactante. Na época ela tinha 28 anos.

Como o título anuncia, é a história de cinco irmãs suicidas. Assim, já sabemos o que vai acontecer desde o início e tudo mais, mas não queremos acreditar nisso até porque, são cinco lindas jovens ninfetas na flor da idade e uma delas a suculenta Kirsten Dunst, com suas presas de lobinha. E eu aqui lendo o pervertido Lolita, u-lá-lá… Meu Deus! (Meu deus uma ova, deus não existe!).

Mas enfim, daí começa aquele exercício narrativo em que o diretor faz de tudo para desviar a atenção do espectador do gran finale. E no caso aqui um final arrebatador. “Não importa quando vai acontecer, mas como vai acontecer”, já explicava num surto metalinguístico, a faceira e esperta, Lisbela, ao namorado, no filme de Guel Arraes.Virgens

Como ia dizendo, são cinco irmãs que vivem numa típica família norte-americana. É o ano de 1974 e os Lisbon – sobretudo a mãe meio tirana vivida por Kathleen Turner – criam as cinco garotas num regime meio opressor já que, por conta da beleza angelical, elas são alvos de assédios dos meninos da vizinhança.

Acontece que essa áurea de mistério e segredo desperta ainda mais a curiosidade da rapaziada e o inevitável acaba acontecendo. Ou seja, a troca furtiva dos olhares, o primeiro beijo, o baile inesquecível, a descoberta do sexo, o cheiro de sonho no ar, o gosto de pecado e amor entre os corpos. Quem não viveu tudo isso algum dia não foi adolescente e aí está o charme de Sofia Coppola que é o de desvendar com realismo, certa magia e morbidez, o complexo e complicado universo dos adolescentes. Ou melhor, das adolescentes, das me-ni-nas.

“Sentimos a clausura de ser uma garota. (…) Sabíamos que as meninas eram mulheres disfarçadas que entendiam o amor e até a morte”, diz um dos vizinhos, após ler trechos do diário da primeira suicida da família, a caçula Cecília (Hanna Hall). “Instabilidade emocional. Temos aqui uma sonhadora. Alguém desconectada da realidade. Quando ela pulou, devia pensar que podia voar”, diz outro com crueldade, ao decodificar passagens obscuras do caderno.

O texto chocante de Sofia Coppola, tal qual a personalidade de um adolescente, é sem filtro ou aviso. Há muita maquiagem na fotografia, nos cenários, mas tudo proposital, como se a diretora quisesse dizer que por debaixo de tanto esmalte e beleza há um mundo de tristeza e surpresas desagradáveis. Na verdade, uma realidade cinza.

Como não poderia deixar de ser num filme da cineasta, a trilha sonora é adorável e melancólica, pontilhada por sucessos setentistas de bandas e artistas como The Hollies, Bee Gees e Gilbert O’ Sullivan. Confesso que tenho certo fascínio pelo tema do suicídio, mas fiquei um pouco assustado com essa fita. Admiravelmente assustado.

* Este texto foi escrito ao som de: Authographs of sucess (Bee Gees)

Bee Gees

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