The Beatles B Side (2)

Os meninos de Liverpool no auge da psicodelia... Ácido para aliviar a tristeza/

Os meninos de Liverpool no auge da psicodelia… Ácido para aliviar a tristeza?

O lado B dos Beatles é tão formidável quanto o lado A. Ou seja, qualquer canção dos meninos de Liverpool poderia facilmente ser um lado A. Então porque algumas se imortalizaram como o lado B? Sei lá, ora bolas, por falta de espaço talvez. Como diria o Nelson Rodrigues, não explico o inexplicável, meu chapa, simples assim. O que estou tentando dizer e o meu alto teor alcoólico no momento não me deixa ou não consegue fazer é que qualquer música do fab four poderia ser lado A e ponto final. E se não são ou não foram, é porque não teve brecha nas ondas sonoras do rádio ou nos corações dos milhares de fãs, alguma coisa do tipo.

Lembro que quando ouvi pela primeira vez P. S. I love you, pensei comigo: “Nossa! Essa canção é tão boa quanto Love me do ou Please, please me”. No fundo achava até melhor porque me emocionava mais. Mas todo mundo só conhecia Love me do ou Please, please me… Cara, toda vez que ouço Getting better tenho vontade de fingir que sou feliz, de tão solar que é a canção. Então porque a labiríntica Lucy in the Sky with Diamonds estourou ou a quase infantil With a little help from my friends é um sundae para os ouvidos dos fãs?

Bom, segue abaixo mais uma lista de canções que acho tão formidáveis quanto os grandes sucessos da banda que mudou minha vida para sempre. A ideia original era dar ênfase a um B Side por disco, mas alguns álbuns são tão incríveis que merecem uma dupla homenagem.

Beatles 67Getting better (1967) – É aquele tipo de canção que nos faz ficar com vontade de aprender tocar piano. E olha que quem toca piano na faixa é George Martin. E daí? Ele sempre foi o quinto beatle mesmo? A canção começou a ser escrita por Paul quando ele fundiu a chegada da primavera com as lembranças do baterista de apoio Jimmy Nicol, que substituiu Ringo Starr, doente, numa turnê de 1964. É isso que dá muito ácido na cabeça, man!

Lovely Rita (1967) – A ironia e o típico senso de humor britânico dos meninos não tinham limite. A canção foi escrita por Paul inspirada numa guarda de trânsito que lhe tascou uma multa. Para mim será sempre a faixa com introdução explosiva de piano e violão.

Flying (1967) – Única faixa instrumental a ser gravada num disco dos Beatles, sempre me fascinou pela áurea mística, celestial dos vocais. Nasceu de uma jam de estúdio e reza a lenda que as imagens em que a música surge no filme Magical mystery tour e de uma cena descartada por Stanley Kubrick em 2001 – Uma odisseia no espaço.

Your mother should know (1967) – Uma daquelas fabulosas e obscuras canções da segunda fase dos Beatles recheadas de vocais melodiosos e arranjos inusitados, sobretudo de piano, que fugiam do padrão “pop-rock-psicodélico” da época. A explicação se deve ao fascínio de Paul por canções dos anos 20 e 30, canções essas que o pai, músico de banda de jazz, costumava tocar.

Baby, you’re a rich man (1967) – Uma daquelas faixas cujo título já é uma isca fabulosa. Quem diabo seria o tal homem rico do título? Sempre achei que fosse o pilantra do Alan Klein, mas a canção, uma mistureba de duas outras, se referia, entre outras coisas, ao próprio Brian Epstein. Pura maldade da dupla Lennon & McCartney. O arranjo arrojado, descolado e bem diferente, à sombra de um vocal maneiro diferente me fascinou desde o início.

* Este texto foi escrito ao som de: Sgt. Pepper’s/Magical mystery tour (The Beatles – 1967)

Sgt

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