Diretores – Michelangelo Antonioni

Elegante como o cinema que realizou, Antonioni é um dos meus heróis do cinema

Elegante como o cinema que realizou, Antonioni é um dos meus heróis do cinema

A elegância com que o mestre Michelangelo Antonioni filmava seus filmes sempre me emocionou. Até hoje, quando revejo algumas de suas histórias tenho vontade de chorar. E se um dia eu tivesse a pretensão de ser cineasta, gostaria de filmar como o diretor italiano. Ah, sim, para mim A noite está entre os cinco melhores filmes da minha vida. E eu disse da minha vida. Tanto é que, no meu projeto final de curso de jornalismo, prestei algumas homenagens a esse trabalho formidável.

Surgido na era de ouro do cinema italiano, amigo de Roberto Rossellini, Antonioni tinha um estilo diferente dos demais colegas que se consagraram à sombra do movimento neo-realista. Mesmo assim, seus primeiro registros, ainda como documentarista, flertam com a corrente. O belo A gente do pó, seu primeiro filme de 1943 é um claro exemplo dessa influência. Aliás, tenho para mim que o gaúcho Jorge Furtado se inspirou nesse filme par fazer Ilha das flores. A comparação é meio descabida, mas é isso que acho até hoje.

A narrativa arrastada, lenta, exuberante e graciosa de Antonioni, repletas de mistérios e tragédias humanas nos arrastava para um desfecho exemplar. Mesmo que não fizesse nenhum sentido, mas para que uma obra de arte precisa fazer sentido, não é mesmo? Ainda mais quando obra-prima…

Top Five – Antonioni

A noiteA noite (1961) – Repito. Está entre os cinco filmes da minha vida. Cruelmente abandonados por Antonioni dentro da narrativa, os personagens de Marcello Mastroianni e Jeanne Moreau bailam durante um dia e uma noite em busca de um novo entendimento para a relação em frangalhos. O silêncio ainda pode ser a melhor saída.

A aventura (1960) – Primeiro filme da famosa trilogia da incomunicabilidade realizada pelo mestre, trazendo como personagem central o mistério, a partir do sumiço estranho de uma jovem burguesa pela costa da Sicília. Musa do cineasta, Monica Vitti, como sempre, está um escândalo de beleza. O Renato Russo, fã incondicional do mestre, roubou o título original da fita para uma de suas músicas.

O eclipse (1962) – Mais uma vez personagens desajustados tentando se encontrar afetivamente dentro de espaço físico, desta vez pelas ruas de Roma. Alain Delon e Monica Vitti formam um dos pares românticos mais charmosos do cinema.

Profissão repórter (1975) – A forma como Antonioni trabalha as ambiguidades do olhar da câmera em face da farsa apresentada pela trama é, no mínimo, eloquente. Depois de roubar a identidade de um traficante de armas, o jornalista inglês David Locke (Jack Nicholson) vaga sem norte por lugares exóticos até encontrar seu destino trágico.

Zabriskie point (1970) – Retrato da contracultura norte-americana visto pelo olhar de um estrangeiro. E é justamente nessa privilegiada condição que Antonioni realiza um de seus trabalhos mais impactantes, mesclando ficção e lampejos documentais. É mágica a sequência em que o casal foge pela alta estrada ao som da balada You got the silver, canção dos Stones cantada por Keith Richards. Trilha sonora escrita especialmente pelo Pink Floyd para o filme.

* Este texto foi escrito ao som de: More (Pink Floyd – 1969)

More Pink Floyd

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Um comentário sobre “Diretores – Michelangelo Antonioni

  1. O cinema, como quase tudo, mexe diferente com cada um. Defendo que isso é consequência da forma diferenciada com que nosso cérebro decodifica. Dos grandes diretores não destaco sequer um que não tenha sido ou que seja meio maluco, se é que me entendem.
    Da megalomania de Cecil Blount de Mille, à psicopatia explícita de Quentin Tarantino, ninguém escapa. Aí pelo meio temos Pedro Almodovar, Martin Scorsese, Federico Felini, Alfred Hitchcock e Roman Polansky, entre mais alguns.
    O meu maluco, caro Lúcio, é o Sergio Leone.

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