Jim

Completamente à vontade no papel, o ator Eriberto Leão encarna o ídolo Jim Morrison até amanhã em BsB

À vontade no papel, o ator Eriberto Leão encarna o ídolo Jim Morrison até amanhã em BsB

Jim Morrison, a voz e liderança de uma das bandas mais importantes do rock, os The Doors, era pura explosão em cima dos palcos. Bonito, sensual, carismático, assim, de uma forma arrebatadora e avassalador em suas performances hedonistas e suicidas, ele arrancava suspiros das garotas e uma espécie de constrangimento invejoso nos rapazes. E essa intensidade viril, pungente e intensa é vivida em carne e osso pelo ator e cantor Eriberto Leão na peça Jim, em cartaz na cidade até amanhã, no Teatro Brasil 21. Eu se fosse você, brigaria até o último minuto por um ingresso para ver essa montagem emocionante dirigida por Paulo de Moraes, a partir do texto contundente de Walter Daguerre.

Com poucos minutos de espetáculos, já dá para perceber que o ator mergulhou de cabeça nos dois personagens em que vive em cena. A entrega é visceral, contagiante, impressionante. Um dos personagens é o próprio ícone norte-americano ou pelo menos o espectro fragmentado do que possa ser o artista que morreu jovem, aos 27 anos, em 1971, romanticamente em Paris.

O outro é João Motta, um fã confuso, angustiado e em conflito permanente consigo. Ele surge em cena com um revolver 38 na cintura, fazendo uma reflexão ruidosa sobre sua vida a partir de uma louca jornada existencial em que funde impressões sensoriais e líricas tendo como esteio a música dos The Doors, a poesia niilista de Jim e sua fugaz e impactante trajetória cheia de erros, remendos e acertos. Encasulado nessa dupla persona pop Mr.Hide e Dr. Jekyll, aos poucos, ele vai se desnudando para o público em seu desabafo sincero diante do túmulo do ídolo.Jim

“O caminho do excesso é o que leva ao palácio da sabedoria”, cita o poeta, autor de letras épicas como The end e Whe the music’s over. “O olho é uma boca faminta que se alimenta do mundo”, continua.

Completamente à vontade dentro do personagem, Eriberto Leão solta a voz de verdade, – acredite, não é playback – e o espírito em cima do palco dentro dessa atuação impressionante, se contorcendo, uivando, gritando, imprensando o pau contra o microfone e conduzindo o espectador numa aventura narrativa norteada por 11 faixas da banda, algumas delas clássicos como as duas canções citadas no parágrafo acima, além de grandes sucessos como Riders on the storm, Roadhouse blues e Moonlight drive, cantada à capela pelo ator. O suporte para a performance vem de uma banda ao vivo que traz formação idêntica a de John Densmore, Ray Manzarek e Robby Krieger, com Zé Luiz Zambianchi (teclado), Rorato (bateria) e Felipe Barão (guitarra). A diferença é que os arranjos são mais pesados.

Por se tratar de um texto sensorial e altamente referencial, todos os signos conhecidos dos fãs que permeiam o ídolo Jim Morrison surgem de forma natural em cena. A famosa dança xamânica, a dependência crônica do álcool, recordações macabras da infância como o acidente indígena, a influência quase sobrenatural dos poetas Rimbaud, William Blake e Nietsche, os gestos libidinosos, acentuado e potencializado pela presença feminina misteriosa da deliciosa atriz Renata Guida. Enfim está tudo lá.

Ao final, esbanjando simpatia, o ator faz uma homenagem ao nosso poeta Renato Russo e sua importância ao rock brasileiro dentro de um contexto atual. “Vamos fazer da frase ‘Que país é este?’ o lema deste ano.

De tirar o fôlego…

* Este texto foi escrito ao som de: The Doors (1967)

The doors - 1967

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