Dylan Thomas – Poemas reunidos (1934 – 1953)

Ídolo de Bob Dylan e da Geração Beat, o poeta foi vítima do alcoolismo

Ídolo de Bob Dylan e da Geração Beat, o poeta galês morreu jovem, aos 39 anos, vítima do alcoolismo

Será que é vergonhoso dizer que só cheguei ao poeta galês Dylan Thomas por causa do bardo do rock Bob Dylan? Pior ainda, pela proximidade simplista dos nomes dos dois poetas? Eu sei que isso foi há muito tempo, mas mesmo assim é digno de vergonha. Mas o que posso fazer se é a mais pura, crassa e hedionda verdade! Acho que é isso, baby, temos que dizer o que é e outro dia, não sei por que cargas d’ águas, eu resolvi tirar da minha estante mágica aquela velha nova edição dos poemas reunidos de Dylan Thomas da José Olympio que guardo há séculos com tradução do respeitado crítico literário, poeta e jornalista Ivan Junqueira.

De antemão posso dizer que foi uma experiência no mínimo incrível porque descobri, entre outras coisas, que o Dylan Thomas, ao contrário do que pensava, não é um poeta do século 18 ou 19, mas um nome da poesia mais recente. Nascido em Swansea, no País de Gales, em 1914, desde cedo ele teve contato com as palavras, ouvindo por meio do pai religioso e professor de escola primária, Shakespeare e passagens da Bíblia.

Na escola foi sempre medíocre em todas as disciplinas, menos em Inglês, na qual estava sempre à frente da turma. Data desta época os rascunhos dos primeiros versos e a predileção por leituras marcantes, entre elas da poesia de Arthur Rimbaud. Entre os 17 e 19 anos escreveu cerca de 250 poemas e os temas bailavam entre o da loucura, forças ocultas como feitiçaria e satanismo e morbidez adolescente, como o fascínio pela morte. Mais tarde, deixaria que suas fundas raízes telúricas galesas e temas religiosos tomassem a dianteira.Dylan Thomas 3

No final de 1934, a reputação de Dylan Thomas como poeta, que arrebatava platéias com sua voz grave lendo poemas em teatros e universidades, já se encontrava inteiramente consolidada, assim como os primeiros indícios de inclinação para a bebida e a boêmia. Sua passagem pela rádio BBC, como palestrante sobre temas voltados à poesia estão entre as descobertas deliciosas sobre o bardo. Entre os 166 programas radiofônicos que realizou, destaca-se em especial para nós brasileiros, um que foi ao ar em agosto de 1940, falando sobre o militar Duque de Caxias. Também flertou com o cinema, trabalhando como roteirista de documentários ingleses para a Strand Films, de Donald Taylor.

O estigma de poeta fustigado pela bebida e problemas pessoais, como a falta de grana crônica, estaria associado à figura de Dylan Thomas para sempre. O poeta bebia com qualquer um que encontrasse pela frente, fosse o sujeito vidraceiro, padeiro ou açougueiro, e gostava de contar bravatas sobre suas façanhas. “Acabo de tomar 18 uísques duplos, acho que é o recorde”, gabou-se certa vez.

Venerado pelos artistas da Geração Beat, daí a homenagem do cantor folk Bob Dylan, os poemas de Dylan Thomas que leio agora nessa compilação são marcados por imagens fortes e estilo que parece mesclar o clássico, como o romantismo. Confesso que não é fácil um mergulho nas aventuras líricas do grande bardo galês, mas volta e meia estou sendo surpreendido por versos provocativos como esses. “Eu não temeria a musculosa ereção do amor”, escreve ele em Se me fizesse cócegas o atrito do amor. “O inseto é decerto o flagelo das fábulas”, ironiza ainda em Hoje, esse inseto.

* Este texto foi escrito ao som de: Language. Sex. Violence. Other? (Stereophonics – 2005)

Stereophonics

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