Diretores – John Huston

"The future, mr. Gittes, the future", diz ele num dos momentos mais marcantes do filme

“The future, mr. Gittes, the future”, Huston (dir.) atuando no clássico Chinatown

Paulo Francis, quem entendia do assunto, gostava de dizer que o roteirista, produtor, ator e cineasta John Huston, um dos mais rebeldes e iconoclastas do cinema, era macho. Muito macho. Talvez por conta de seu sangue irlandês. O artista, que morreu aos 81 anos, em 1987, perdeu sua fortuna por duas vezes nas roletas, bebia hectolitros todos os dias e ainda fumava como uma caipora. E não só isso. O cara saiu nos sopapos pelo menos umas duas vezes com celebridades de Hollywood. Numa delas, com o astro Errol Flynn, defendendo a honra de uma lady.

Bem, prefiro dizer que ele era um intelectual elegante que contou boas histórias nas telonas. E sempre me chamou atenção, seja como ator, roteirista ou diretor, o seu olhar descrente e cínico com relação à vida e os problemas que afligem a natureza humana. E quem mais teria coragem de fazer de Marlon Brando um homossexual em O pecado de todos nós (1967)?

Segue abaixo uma lista dos meus cinco filmes favoritos de Huston, mas elencaria outros cinco títulos de olhos fechados. E, além de grande diretor, o mestre também era um ator formidável. Basta lembrar-se dele como o canastrão Noah Cross no sensacional Chinatown, de Roman Polanski.

No épico religioso A Bíblia, de 1966, que dirigiu para o italiano Dino de Laurentis, encarnou de maneira histriônica um Noé atrapalhado e bem realista. Mais John Huston impossível.

Top Five – John HustonOs Desajustados

Os desajustados (1961) – Foi o último filme realizado pelos astros Clark Gable e Marilyn Monroe. Ele na pele de um vaqueiro alcoólatra, decadente e solitário. Ela, num papel escrito sob medida pelo marido Arthur Miller, vivendo uma divorciada frágil perdida na vida. O confronto e contraste entre a rudeza masculina e a delicadeza feminina são visíveis ao longo de todo o filme. De longe uma das obras mais deprimentes já realizadas em Hollywood.

A noite do Iguana (1964) – Baseado em peça de Tennessee Williams, Richard Burton aqui é um pregador alcoólatra e pedófilo massacrado pela diferentes ofensivas, sexuais e pudicas, de três mulheres. Uma viúva solitária, uma lésbica enrustida e uma andarilha meio caloteira, vivido pela linda Deborah Kerr. A melhor parte é o poema lido pelo avô cego dela.

O tesouro de Sierra Madre (1948) – Uma fábula bem pessimista sobre a amizade, ganância e traição, o filme, que rendeu a Huston um Oscar de Melhor direção, conta a história de três americanos em busca de um tesouro nas pradarias mexicanas. Mas uma vez o diretor se vale aqui do humanismo e realismo com que pincelou seus trabalhos.

Uma aventura na África (1951) – Um dos filmes mais populares de Huston, narra a aventura de amor e perigos vividos pelo barqueiro fanfarrão Charlie Allnut (Humphrey Bogart) e uma solteirona religiosa encarnada por Katharine Hepburn, pelo Congo durante a 1ª Guerra Mundial, a bordo do “African Queen”. Os vários problemas enfrentados durante a filmagem foram contados por Clint Eastwood, anos mais tarde no filme Coração de caçador.

Relíquia macabra/O falcão maltês (1941) – Filme de estreia como diretor de John Huston, é uma adaptação do clássico de Dashiell Hammett que saiu nos cinemas com o título de Relíquia macabra. Para muitos especialistas é o primeiro noir da história do cinema.

* Este texto foi escrito ao som de: Who came first (Pete Townshend – 1972)

Who_Came_First

 

 

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