Gabo (1928 – 2014)

Cem anos de soldião não me encantoui na primeira vez que li... Ninguém é perfeito!

Cem anos de soldião não me encantoui na primeira vez que li… Ninguém é perfeito!

Todo mundo teve uma fase Gabriel Garcia Márquez e temos que dizer o que é. Ou seja, não adianta ficar com marola e fazendo pose só para agradar ou impressionar os outros. Eu li Cem anos de solidão e achei de uma chatice ululante. Todo mundo falando sobre realismo mágico, alegoria político e não sei mais o quê e para mim o livro nem fez cócega no prazer. Desculpa aos fãs de Gabriel Garcia Márquez, mas esse clássico da literatura mundial não bateu. Não ainda, nessa primeira leitura que fiz nos tempos de faculdade, mas motivado por minha gatinha renascentista, vou reler o livro só para ter o direto da dúvida.

A decepção com o livro foi tamanha que até hoje não comprei um exemplar dessa obra consagrada. Isso mesmo, meu chapa, na minha estante mágica não tem Cem anos de solidão e isso é uma vergonha, eu sei. Mas ninguém é perfeito. Sim, porque até os clássicos não compreendidos merecem o aconchego solar de minha estante mágica.

Não tem Cem anos de solidão, mas tem Crônicas de uma morte anunciada, Ninguém escreve ao coronel e Memória de minhas putas tristes. Dos três, só li os dois primeiros que comprei num sebo, portanto, nutro um carinho especial por eles. Mas que fique registrado que o primeiro livro do Gabo que comprei foi, Crônica de uma morte anunciada,e motivado pela técnica jornalística ali embutida. “O livro é sensacional porque começa já com a morte do personagem principal”, me contou um professor esbaforido.Crônica

Uma história em que o autor já entrega o fim logo nas primeiras páginas é de arrepiar, de uma coragem incrível, pensei. E foi assim que li pela primeira vez um livro de Gabriel Garcia Márquez. Depois foi Ninguém escreve ao coronel, título que faz parte do Ciclo Macondo, e tido por especialistas como uma de suas grandes obras. A trama gira em torno da espera angustiante do personagem do título por uma carta que lhe trará o pagamento da aposentadoria atrasada pelos meios burocráticos que o faz viver na pobreza com a mulher. “Ninguém escreve ao Coronel”, avisa o carteiro, o desiludindo semanalmente.

Curtinho, o livro, o segundo que publicou na vida, numa época em que vivia na penúria, na França, é, talvez, uma das mais esmagadoras críticas da literatura à ação da burocracia.

Agora não li O veneno da madrugada, mas afirmo de olhos fechados, sem medo de errar e ser feliz, que a adaptação de Ruy Guerra para a obra seja uma das melhores para o cinema da obra do escritor colombiano. Injustamente negligenciado, o filme de 2004, que foi exibido no Festival de Cinema de Brasília, conta a história de um alcaide raivoso, rancoroso e ganancioso vivido por um Leonardo Medeiros espetacular. Fazendo uso do poder de autoridade que tem, ele toca o terror no vilarejo que está cercado por uma chuva fétida sem fim. Assim como em Cem anos de solidão, o surrealismo dá a tônica da trama numa crítica ao abuso de poder e a violência.

“Agora nem precisa de bússola para chegar a este fim de mundo. Basta seguir o cheiro de podre dessa vaca”, diz um dos personagens.

Mas enfim, seja nas páginas de um livro ou em boas adaptações de seus livros para o cinema, lá estarei eu apreciando a obra do escritor colombiano, gostando ou não. Porque é assim que é feita a vida. De contradições e de desmistificações.

* Este texto foi escrito ao som de: Tropicália (Caetano Veloso – 1968)

Caetano

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