Diretores – Eduardo Coutinho

Graças ao diretor o gênero documentário se popularizou no Brasil nos cinemas e na televisão

Graças ao diretor o gênero documentário se popularizou no Brasil nos cinemas e na televisão

Com o documentário, Cabra marcado para morrer, um dos marcos da cinematografia nacional, o cineasta Eduardo Coutinho, nem sabia, mas tinha inventado um novo gênero cinematográfico que era o cinema de resgate histórico tendo como esteio o prisma da metalinguagem e da reportagem. E não sabia mesmo porque ele nunca imaginou que o filme iria enfrentar os problemas que enfrentou. Na verdade, ele nem sabia que filme tinha na mão quando chegou à Paraíba naquele começo dos anos 60. A história da trajetória de um líder da Liga Camponesa da região, João Pedro Teixeira, que tinha acabado de ser assassinado pela elite local caiu em suas mãos como um presente. Presente de grego. Um presente de grego que viraria um pesadelo. Finalizado 20 anos depois de sua truculenta interrupção pela Ditadura, a fita hoje é vista como uma aula de como fazer filme e de persistência também.

Bem, antes de tudo é bom dizer que tive oportunidade de entrevistar o documentarista algumas vezes e até consegui um autógrafo dele num livro escrito pela jornalista Consuelo Lins (O documentário de Eduardo Coutinho – Televisão, cinema e vídeo), mas era difícil lidar com o velhinho que tinha um temperamento irascível. Era assim, não leu, o pau comeu. Ou seja, você fazia uma pergunta idiota e levava uma patada na certa.

Mas era o Eduardo Coutinho e, depois que você se acostumava com as grosserias deles tudo era festa. Até porque, esse era o estilo dele. Curto e grosso, um poço de catedral. E com seu jeito de fazer cinema ele fez escola. Sim, porque se hoje o documentário é um gênero popular no cinema e na televisão, dê graças a sua paixão por contar a história dos outros nas telas. Histórias interessantes em trabalhos edificantes.

Top Five – Eduardo CoutinhoCoutinho - livro

Cabra marcado para morrer (1964/1984) – A genialidade do filme que contou com a assistência de ninguém menos do que Vladimir Carvalho, está na capacidade do diretor em transformar obstáculos em experiências artistas impressionantes. É um filme sobre vários temas e personagens que vão e volta para ficar eternamente na história do cinema.

Jogo de cena (2007) – O quebra-cabeça engenhoso, emotivo e sentimental que o diretor constrói a partir da dualidade verdade/mentira, ficção/realidade, encenação/sinceridade com celebridades e pessoas comuns impressiona. Nada é o que aparente ser e por isso que é bom.

Edifício Master (2002) – Um dos grandes talentos de Coutinho era saber ouvir e extrair de pessoas simples narrativas de espanto, como esses moradores de um prédio decadente cheio de personagens estranhos e reais em suas tragédias da vida privada.

Santo forte (1999) – A religião de cada dia vista a partir do cotidiano de pessoas humildes. Com essa proposta aparentemente pretensiosa Coutinho traça de forma quase antropológica – dentro do nicho/espaço que se propõe trabalhar -, os caminhos por vezes tortos das trajetórias religiosas populares.

Babilônia 2000 (2001) – Mais uma vez o diretor busca a simplicidade para tratar de temas complexos, aqui, os anseios e perspectivas de moradores de favelados a dez dias da virada do ano de um novo século. Preocupações sociais sem mistura com sentimentos religiosos e no final o que temos é um filme cheio de esperanças, mas de preocupações futuras também.

* Este texto foi escrito ao som de: Gil e Jorge (Gilberto Gil e Jorge Ben – 1975)

Gil e Jorge

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