Ela vai (2013)

Parafraseando o poeta Eramos Carlos, Catherine Deneuve sentada na beira do caminho

Parafraseando o poeta Eramos Carlos, Catherine Deneuve sentada na beira do caminho

Aos 70 anos, Catherine Deneuve continua elegante, charmosa e, o melhor de tudo, linda. Quem duvida basta conferir a comédia doméstica Ela vai, em cartaz na cidade. No filme, ela é Bettie, uma mulher desajustada nos negócios e na vida afetiva que toca um restaurante com a mãe no interior da França. O estabelecimento está à beira da falência e um dia, ao receber uma notícia desagradável da mãe sobre um ex-amante, resolve largar tudo e ir embora sem destino. Apenas entra no carro e segue o caminho ou, como o título enfatiza, ela apenas vai.

E aonde ela quer ir é atrás da filha mimada e arrogante com quem não se entende muito bem, com que vive às turras. Mas até chegar lá, vários acontecimentos insólitos cruzam o seu caminho. Ansiosa e insegura, ela, que no passado foi miss Britania, dona de uma beleza singular, busca refúgio num vício que não consegue largar: o cigarro. Quando pára num bar de beira de estrada para comprar um maço do veneno pede um chope e quando vê, lá está ela dormindo com um jovem que tem idade para ser seu filho.

“Nossa, você deveria ser linda! Quantos anos tem?”, pergunta o atrevido.

Ainda atarantada, mas sem medo de ser feliz, Bettie deixa o novo amante para trás e continua Ela vaiseguindo em frente até se dar conta de que está perdida no meio do nada. Tendo como único companheiro o cigarro e mapa a tiracolo, pede ajuda a um fazendeiro e, quando a chuva fria chega sorrateira no meio da noite, busca refúgio na companhia de um zelador negro simpático e solícito.

Quando finalmente chega à casa da filha, encontra o neto – que mal conhece -, sozinho e parte com ele num road movie cheio de surpresas e descobertas atrás da mãe. O destino é casa do avô paterno do guri também mimado, mas descolado, vivido pelo ótimo ator mirim, Nemo Schiffman.

Com clima de Pequena miss Sunshine, Ela vai é um libelo à vida, à terceira idade e às novas descobertas. Descobertas da vida que é cheia de surpresas. Mas engana quem acha que essa fita afetiva de Emmanuelle Bercot descamba para o clichê. E claro, as pessoas podem não acreditar, mas a deslumbrante atriz francesa tem time para comédia, está aí a comédia 8 mulheres, François Ozon, para não me deixar mentir.

Cenários deslumbrantes, intrigas familiares estridentes, trilha sonora esperta e a beleza clássica de Catherine Deneuve. O que mais precisamos nessa Páscoa?

* Este texto foi escrito ao som de: Want one (Rufus Wainwright – 2003)

Rufus

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