Ruy Castro e Nicolas Behr: Dois ursos e duas medidas

Ele é poeta. O nosso poeta. Ele é o poeta da nossa cidade.

Ele é poeta. O nosso poeta. Ele é o poeta da nossa cidade.

A última vez que falei com o Ruy Castro foi bem ali, no Açougue T-Bone. Eu e o Tiago Super 8. Era uma entrevista especial para o Correio Braziliense e ele nem deu pelota quando, ao final do bate-papo, informamos que tínhamos que voltar para a redação correndo porque o Michael Jackson tinha acabado de morrer. Outro dia o lembrei dessa história numa outra entrevista, agora para a Folha de São Paulo, e ele bulufas novamente. Esse é o estilo Ruy Castro de ser.

Nesse recente bate-papo que tivemos, ele foi bem legal e engraçado. Ao seu modo, é bom que se diga. Lembro que a última copa do mundo que assistiu foi a de 1982 e que não torce pela seleção, mas para o Flamengo. Isso quando alvinegro joga bem. “O que não acontece há séculos”, rosnou.

Disse para ele que sabia de boas histórias sobre suas andanças pelo mundo e redações da vida e que sua vida daria uma bela biografia. Daí, perguntei à queima roupa quem ele queria que escrevesse sua história e ele foi curto e grosso. “Enquanto eu estiver vivo, ninguém”, acrescentando. “Mas há uma pessoa que me conhece pelo avesso: Heloisa Seixas”, disse se referindo à mulher.

Sem medo de ser ridículo, mas feliz, confidenciei que, assim como ele, quando eu morrer não Flamengoqueria ir nem para o céu, nem para o inferno, mas para um sebo. E que quando isso acontecer que iria procurá-lo. “Então, até lá”, brincou bem ao seu estilo seco.

Já outro dia, na Bienal, esbarrei com o grande poeta e amigo Nicolas Behr. Ganhei dele um mimo. O seu mais recente livro, o divertido e inteligente Brasilia de A-z, que traz 106 verbetes curiosos sobre a cidade que ele odiava e agora aprendeu a amar. No mínimo a conviver. Ninguém escreve como Nicolas Behr. Ninguém escreve poesia como o Nicolas Behr. Ninguém fala sobre Brasília como Nicolas Behr. Esse pequeno livro mostra isso. Mas daí vale outro post dedicado só a ele.

Andei uns pedaços com o Nicolas Behr pela Bienal. Quer dizer, tentei. Isso porque ele dá três passos e alguém chega perto, eufórico, como se o grande poeta da cidade fosse um pop star. O que ele não é, já que é coisa melhor. Poeta. O poeta da nossa cidade. O nosso poeta. Dizem que ele tem uma biblioteca formidável em sua casa. Só livro sobre Brasília mais de 500. Um dia ainda quero ir lá. Mas tenho medo de nunca voltar. Sabe como é, né?! Quando morrer, não quero ir nem para o céu o para o inferno, mas para a biblioteca do Nicolas Behr. Então até lá.

* Este texto foi escrito ao som de: Nashville Skyline (Bob Dylan – 1969)

Nashville Skyline

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