Diretores – Francis Ford Coppola

Marlon Brando na pele de um dos personagens do cinema mais marcantes

Marlon Brando na pele de um dos personagens do cinema mais marcantes

Nos anos 70 o cineasta Francis Ford Coppola queria ser deus. E quase conseguiu, mas foi derrotado pela megalomania que sofria quase todos aqueles jovens diretores independentes da chamada “nova Hollywood”. Roteirista talentoso, autor de histórias importantes na telona como Patton – com o qual levou o Oscar de melhor roteiro -, começou a carreira dirigindo filmes pífios como um musical com Fred Astaire que, de tão obscuro, nem consegui localizar o nome. Acho que chama O caminho do Arco-íris. Só sei que tentei ver a fita outro dia e desisti. Bisonha. Está pensando o quê, meu chapa, os deuses também começam por baixo.

Mas com seu jeito bonachão, Coppola, de personalidade forte, foi se impondo ao poucos, até pegar todo mundo de surpresa com o clássico O poderoso chefão que, em minha humilde opinião, talvez seja a melhor adaptação que já fizeram de uma obra literária para as telonas. No caso aqui, do livro homônimo de Mário Puzo.

E assim, brincado de ser deus, Coppola, pai da linda Sofia Coppola, foi conquistando fiéis, digo, fãs, em todo o mundo com seus filmes até chegar ao impactante Apocalipse now, um dos filmes mais importantes já realizados até então sobre a guerra do Vietnã. Dizem nas entrelinhas, às más línguas, que o filme foi o auge da carreira do jovem diretor. Não sei dizer. Só sei que aquela alegoria sobre poder, violência e loucura construída a partir do denso O coração das trevas,de Joseph Corand, foi sensacional. Com direito a um duelo titânico nos bastidores entre dois deuses do cinema: Francis Ford Coppola e Marlon Brando. Ninguém um dos dois ganharam. Saiu vitorioso o público.

Top Five – Francis Ford CoppolaApocalipse now

O poderoso chefão (1972) – Não é simplesmente uma das melhores adaptações literárias para o cinema, mas também um dos melhores filmes sobre família. Marlon Brando está impecável como o patriarca, Don Corleone. É de uma beleza clássica em todos os aspectos.

Apocalipse now (1979) – Os vôos megalomaníacos do diretor aqui atingiram o seu auge, mas valeram à pena. Alegoria perturbadora sobre a guerra do Vietnã, o filme conta com cenas icônicas, como aquela do personagem de Marlon Brando careca, enfeitiçado pela loucura dentro de uma tumba. “O horror! O horror!”.

A conversação (1974) – Com uma atuação impecável de Gene Hackman, a fita, uma produção menor e modesta em sua concepção, fala de um assunto que viraria moda entre os corruptos de Brasília, a paranoia dos grampos, mas narrado dentro de um thriller de suspense de tirar o fôlego.

Drácula de Bram Stoker (1992) – Adaptação honesta do clássico do terror, o filme merece destaque, sobretudo, pelas belas atuações de astros como Gary Oldman e Anthony Hopkins, além de direção de arte e figurinos deslumbrantes.

O homem que fazia chover (1997) – Norteado por alguns clichês, o filme chega a ser bobinho para os padrões de um Coppola, mas vale pela abordagem tragicômica de um pesadelo na vida de todos nós: as malandragens da indústria dos planos de saúde. Danny Devito, mas uma vez, mata a pau.

* Este texto foi escrito ao som de: Green river (Creedence Clearwater Revival – 1969)

Green River

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s