Baudelaire – Flores deles em mim!

Viciado em drogas e alcoólatra, Baudelaire talvez tenha sindo um dos primeiros junkie da história

Viciado em drogas e alcoólatra, Baudelaire talvez tenha sindo um dos primeiros junkie da história

Há 193 anos nascia Charles Baudelaire. Não sei você, mas eu só soube da existência do poeta francês graças ao Renato Russo. Aliás, graças ao líder da Legião Urbana, muitas “portas das percepções artísticas” se abriram para mim. Mesmo assim, eu ainda não sei por que não tenho em minha estante mágica uma edição de As flores do mal, sua antologia de 100 poesias que foi como poderia dizer… A obra de toda uma vida.

Viciado em drogas e alcoólatra, Baudelaire talvez tenha entrado para história como o primeiro junkie. Se fosse beatnik, ele colocaria William S. Burroughs no chinelo. No entanto, morreu relativamente jovem, aos 46 anos, endividado, sozinho e quase desconhecido. Contudo, o futuro resgataria o poeta do limbo dos esquecidos. E hoje não tem um amante da poesia, das palavras, dos versos rimados que não conheça a obra e a vida desse poeta maldito. E mesmo assim eu ainda não sei por que não tenho uma edição de As flores do mal em minha estante mágica.

Minha obsessão no campo da poesia no momento é o poeta britânico Dylan Thomas. Até poucos dias era o mineiro Carlos Drummond de Andrade, mas agora é o galês Dylan Thomas, e pode ri, porque só me interessei pelo bardo de Swansea graças a outro poeta do rock, dessa vez Bob Dylan, que dizem as más línguas, tirou seu sobrenome dali. Tudo a ver. Pelo menos para mim, tudo a ver.As flores do mal

E assim como a trajetória pessoal de Dylan Thomas, um alcoólatra incorrigível, o dia a dia do poeta francês foi uma maldita aventura. Uma aventura ignara. Alguns artistas são assim, fazem de sua vida pessoal algo tão emocionante quanto às obras que deixaram. “Quando o cinzento céu, como pesada tampa/Carrega sobre nós, e nossa alma atormenta/E a sua fria cor sobre a terra se estampa/O dia transformado em noite pardacenta”, escreveu ele em Spleen, talvez se vendo refletido em alguma poça.

As flores do mal – que dá nome a uma canção da Legião Urbana -, foi lançado em 1857 e graças as seis poemas desse livro – que não sei quais -, a fúria dos hipócritas de plantão foi atiçada. Resultado, todos os livros foram retirados das livrarias e o poeta, que nunca tinha dinheiro para nada, teve que desembolsar 300 francos. “Soturnos funerais deslizam tristemente em minh’alma sombria/A sucumbida esperança/Lamenta-se, chorando, e a angústia, cruelmente, seu negro pavilhão sobre os meus ombros lança!”, continua o maldito poeta em Spleen.

Bem, há 193 anos nascia Charles Baudelaire. E eu me envergonho de conhecer pouco sobre a obra desse grande poeta, de não ter em minha estante mágica uma maldita edição de As flores do mal. Que ótimo leitor eu sou…

* Este texto foi escrito ao som de: Vivendo e não aprendendo(Ira! – 1986)

Ira!

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