La Playa (2012)

O filme percorre em clima de documentário a trajetória de três irmãos negros em lados opostos da vida

O filme percorre, em clima de documentário, a trajetória de três irmãos em lados diferentes da vida

Que eu me lembre, nunca tinha assistindo a um filme colombiano na vida. Quer dizer, até outro dia, quando vi ali no Libert Mall, o pungente La Playa, de Juan Andrés Arango Garcia.  E na boa, não sei se gostei muito dessa produção colombiana realizada numa parceria franco-brasileira. Também não notei muita diferença com relação aos filmes brasileiros, não. Pelo menos no que diz respeito ao tema, às agruras sociais vigentes nos dois países. Na trama, a narrativa percorre a trajetória cheia de percalços de três irmãos em lados diferentes da vida. Um deles, o mais velho, ganha a vida fazendo bico aqui e acolá, na capital colombiana. Um dia lava carros de bacanas, noutro se vira no que pode, no que der e vier.

Um segundo irmão ainda mora com a mãe e o padrasto, com quem não se dá muito bem. Todo dia empilha sacos e mais sacos como estivador e leva para casa o dinheiro do fruto de seu trabalho para o sustento da casa. Implicado com o pai substituto, também resolve sair de casa e vai de encontro ao irmão mais velho, em Bogotá. Mas leva junto contigo o irmão caçula, viciado em craque e que parece estar definitivamente perdido na vida.

Por vários motivos, pessoais, sociais e, sobretudo financeiros, eles, autênticos afro-colombianos, tentam se ajudar na vida, mas não entram nos eixos e seguem o caminho num trilho desgovernado La Playa 2à margem da sociedade, cujo desfecho, é trágico em doses diferentes para cada um. O irmão mais novo morre vítima das drogas, o do meio, desnorteado por não conseguir salvá-lo desse suplício, ameniza a dor pela perda com os desenhos que faz nos papéis e nos cabelos/cabeças das pessoas. Alguns desses cortes – é bom que se diga – são verdadeiras obras-primas.

O mais velho, quer ir embora a todo custo para fora dessa Bogotá “branca”, onde os negros são marginalizados e negligenciados, junto com o irmão que sobrou, mas está sozinho e abandonado na beira da estrada e o filme parece tão sombrio e sem rumo como começou a fita.

Norteado por uma fotografia propositalmente escura e por certo aspecto documental, La Playa incomoda por trazer à tona aos olhos da América Latina uma realidade que muitos conhecem, mas não querem enxergar. O problema dos viciados em drogas é uma rotina em qualquer país do continente, o que dizer então da questão do racismo que, de tão velada, parece ser “normal”. A cena do velório do menor delinquente, vítima das drogas, é assustadora, de tão sintomática que é do ponto de vista social.

Os três jovens em cena são um show à parte. Reais em suas atuações, eles até parecem filhos dessa realidade tão triste e cruel. O que, de certo modo, La Playa, guardada as devidas limitações geográficas, não deixa de ser um filme universal.

Saí da sessão de La Playa, sem saber se gostei do filme, mas com a certeza de que é uma produção mais do que necessária.

* Este texto foi escrito ao som de: Aminésia Global – In concert no auditório do Instituto Goethe (Plato Divorak & Frank Jorge – 2003)

Plato e Jorge

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