O iluminado (1980)

Jack Nicholson tocando o terror em cena icônica do filme

Jack Nicholson tocando o terror em cena icônica do filme baseado em livro de Stephen King

Se você andou se assustando com inúmeros filmes de terror especialistas em dar susto em meados dos anos 90 e 2000, na linha de Os outros ou O grito, então deve saber que a gênese desse estilo começa com Stanley Kubrick e o seu psicologicamente assustador O iluminado. Baseado em livro homônimo de Stephen King, a fita é um dos trabalhos mais conhecidos do cineasta e também um dos mais estranhos.

É história de Jack Torrance (Jack Nicholson), um escritor que, em busca de paz para escrever seu livro, aceita trabalhar como zelador do elegante e distante hotel Overlook. O exuberante espaço durante o inverno fica completamente vazio e isolado do mundo por conta de nevasca e é em busca dessa solidão e sossego que Jack chega de mala e cuia com a família.

Antes, o gerente do local avisa que tempos atrás um crime bárbaro acontece no local, mas o macabro episódio parece não abalar Jack e a esposa Wendy (Shelley Duvall). Contudo, dono de talentos sobrenaturais, o pequeno Danny (Danny Lloyd) se mostra assustado, ainda mais quando o cozinheiro do local, vivido pelo ótimo Scatman Crotheres, percebe dos poderes paranormais do garoto.

Kubrick4Aos poucos, Jack e sua família começam a perder o controle da situação quando inúmeras coisas bizarras aparecem do nada no local, como a aparição das duas filhas gêmeas assassinada no local, alguém fantasiado de cachorro fazendo sexo oral num homem, uma mulher nua com as costas em decomposição, mãe e filho perdidos num labirinto ou um amontoado de gente no bar do Hotel que, há poucos, estava completamente isolado. E os segredos do tal quarto 237?

O cenário e design construído por Stanley Kubrick e sua equipe são de tirar o fôlego, mas a grande estrela de O iluminado são os personagens, construídos com esmero pelo diretor, à mercê de um clima de suspense terrificante que domina boa parte do filme. Em entrevista ao crítico de cinema, Michel Ciment, publicada no livro, Conversas com Kubrick, o cineasta fala que se dependesse do poder atrativo do livro nunca teria realizado O iluminado.

“O livro não era uma grande obra literária – com uma escritura magnífica, personagens muito bem construídos -, mas tive a impressão de que isso não tinha muita importância para uma história como aquela, na qual o enredo era o elemento primordial”, comenta. “Depois poderíamos melhorar o trabalho sobre os personagens”, arremata.

E ele tem toda a razão. Basta notarmos como o personagem de Nicholson vai mudando, assustadoramente, à medida que o clima fica pesado na trama. A sequência do machado, com os golpes e os desfechos na porta acompanhados com precisão pela câmera de Kubrick é impactante.

“Querida, cheguei!”, alarma o personagem de Nicholson, com o rosto psicótico estampado na fenda na porta aberta a machado, já possuído pela demência.

O desfecho dessa história, bem diferente do livro, é bem ao estilo de Kubrick, cheio de enigmas e mistérios. Afinal, tudo aconteceu na imaginação do personagem? Bom, fica a critério de cada um.

* Este texto foi escrito ao som de: Blur (1997)Blur

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