Lolita – Primeira parte!

O fauno Himbert Humbert de Kubrick se deliciando com as curvas maliciosas da ninfeta libidinosa

O sáfico Himbert Humbert de Kubrick se deliciando com as curvas maliciosas da ninfeta libidinosa

“Lo-li-ta: a ponta da língua descendo em três saltos pelo céu da boca para tropeçar de leve, no terceiro, contra os dentes. Lolita. (…) Luz de minha vida, labareda em minha carne, minha alma, minha lama”. Não necessariamente nessa ordem, mas assim o escritor russo Vladimir Nabokov inicia o seu romance erótico Lolita, que narra a indecente paixão de um professor do velho continente por uma ninfeta americana de 12 anos. Publicado em 1955 por uma ousada editora francesa, o livro causou polêmica na época de seu lançamento e até hoje assusta os mais puritanos. Eu mesmo já li a primeira parte do livro e confesso que estou, como diria a vocês… Uhhh, cho-ca-do.

Mas veja bem, não é porque eu seja hipócrita, conservador ou qualquer coisa do tipo que o livro, até certo ponto, me incomoda. Nada disso. Mas por uma questão de criação, princípios, de moral mesmo. Contudo, a obra não deixa de ser um deleite do ponto de vista estético e literário. No fundo, o que Nabokov, um escritor refinado que era, quer nos mostrar, é que o velho continente – Humbert -, a maturidade fascinante, está sendo vilipendiado pela indecência grosseira da juventude pop da América– Lolita. É a arte erudita x cultura popular.

“De minha parte, eu era um ingênuo como só um pervertido pode ser”, se descreve nosso imoral apaixonado personagem. “Ah, permitam-me que eu seja repugnantemente sincero ao menos esta vez! Estou cansado de ser cínico”, se entrega ele com a menor parcimônia.

Lolita 6A erotização de alguns encontros com sua musa-ninfeta é deliciosamente incômoda, como relata aqui ele quando a viu pela primeira vez, sensualmente estirada no jardim de sua casa, numa tarde de sol. Note a poesia das palavras. “(…) E então, sem qualquer aviso prévio, uma onda azul ergueu bem alto meu coração: ajoelhada sobre uma esteira, seminua em meio a uma poça de sol, virando-se para me olhar por cima de seus óculos escuros, lá estava o meu amor da Riviera”, descreve o autor. “De um posto de observação privilegiado (janela do banheiro), vi Dolores (o nome verdadeiro de nossa Lolita) tirando roupas da corda na luz verde-maça do quintal. Desci para o jardim. Ela estava usando uma blusa axadrezada, Jean e tênis”, pormenoriza Nabokov em outro momento.

A impressão que eu tenho, é que Humbert Humbert, um retraído empedernido, parece ser vítima das investidas lascivas irresponsável da marota Lolita, uma jovem inocente em suas intenções ingênuas e lascívias. “Ela sempre fora particularmente distraída, ou despudorada, ou ambas as coisas, quando se tratava de expor as pernas”, observa o autor, cinicamente imparcial.

Bem, independente das intenções pedófila da trama, que são bastante visíveis e pertinentes, o romance Lolita não deixa de ser divertido. O humor cretino que Vladimir Nabokov deixa transparecer nas entrelinhas diante das aventuras sáficas do personagem que desenhou é um gozo. Pelo menos até a parte que li. Como o personagem explica, de forma maliciosa: “ninfolepsia é uma ciência exata”. De modo que: “Atrai-me um objetivo mais elevado: apreender, de uma vez por todas, a perigosa magia das ninfetas”,

* Este texto foi escrito ao som de: When I was Born for the 7th time (Cornershop – 1997)

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