Diretores – Clint Eastwood

O cineasta dirigindo a si mesmo no clássico "Impacto fulminante": "Vá em frente, faça o meu dia!".

O cineasta dirigindo a si mesmo em “Impacto fulminante”: “Vá em frente, faça o meu dia!”.

E no começo ninguém dava nada por ele. Era assim digamos uma espécie de dólar furado.  Por isso que Clint Eastwood começou a carreira de verdade como ator não na América, terra das oportunidades, mas na Itália, sob as asas de Sergio Leone, o mestre do Spaghetti westers. E olha que ele se deu bem, encarnando como poucos, o caubói mal-humorado, caladão e que sempre se dá bem no final. Quase sempre. E se alguém algum dia pensou num discípulo para John Wayne, no gênero faroeste, este, claro, só poderia ser Clint Eastwood. Dúvida?! Então me convence do contrário.

Mas nem só de caubóis se faz um homem e o bom e velho Clint deixou de lado a winchester 22, para abraçar uma potente magnum 44, personificando um dos mais temidos, implacáveis e amados policiais de rua, o incorrigível Harry Callahan. “Vá em frente, faça o meu dia”, diz ele, sem se abalar, para um assaltante matusquela no formidável Impacto fulminante. A frase por si só já vale o filme todo.

Mas houve um tempo em que o ator quis ser diretor e uma nova etapa na carreira de Clint Eastwood se deslanchou diante dos olhos de milhares de fã. Claro, o começou atrás das câmeras, assim como diante delas, não foi nada fácil. Mas mais uma vez ele encarou o desafio com naturalidade e fez do clichê em vários gêneros uma fórmula de sucesso. “Eu não era nenhum cineasta, mas sabia quem era Howard Hawks”, disse certa vez nos anos 50, se referindo a um de seus ídolos. Parece que deu certo.

Ao contrário dos homens truculentos que ele viveu nas telas, Clint Eastwood, hoje um octogenário, se revela um homem sensível e romântico à moda antiga que gosta de jazz, belas mulheres e o conforto da família. Não se iluda meu chapa, os brutos também amam.

 Clint Eastwood 3Top five – Clint Eastwood

As pontes de Madison (1995) – Poucas vezes o adultério foi ilustrado nas telas de forma tão singela e emocionante. Que um dia em encontre uma Francesca na minha vida e sejamos felizes para sempre na vida e na morte. A cena dele acenando para amante uma nova oportunidade ou um adeus, debaixo de chuva, me fez chorar algumas vezes.

Os imperdoáveis (1992) – Quando Clint fez esse filme o faroeste, gênero que ajudou a consolidar, estava na berlinda e ele meio que engessado atrás das câmeras. Um clássico ganhador do Oscar de melhor filme, esse trabalho de peso é um divisor de águas em sua carreira como cineasta. Na trama, ele vive o solitário e amargo William Munny, um pistoleiro aposentado que vai à forra com seu passado.

Bird (1988) – Autor de algumas de suas trilhas, Clint, que toca com delicadeza um piano, faz aqui uma empolgante e visceral homenagem a um de seus ídolos da música. Forest Whitaker na pele do grande saxofonista Charlie Parker está uma uva.

Sobre meninos e lobos (2003) – Penso eu que a maturidade de Clint como diretor veio com esse drama cheio de suspense sobre a história de três amigos testados pelos sortilégios do destino. Um filme sobre famílias destroçadas, amigos em conflitos e a perda da inocência. Definitivamente um filme sobre “meninos e lobos”.

Impacto fulminante (1983) – “Não é sobre um homem que defende a violência. É sobre um homem que não compreende uma sociedade que tolera a violência”, disse o ator e diretor certa vez sobre o personagem Harry Callahan. Precisa escrever mais alguma coisa?

* Este texto foi escrito ao som de: Charlie Parker at Storyville (2005)

Charlie Parker

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s