Diretores – François Truffaut

Ninguém falava tão bem sobre as mulheres com o cineasta francês

Ninguém falava tão bem sobre as mulheres com o cineasta francês

O cineasta francês François Truffaut é o príncipe da elegância cinematográfica. Eu sei, a frase é boa de doer, mas não é minha e sim do crítico Pepe Escobar. Nem precisa dizer que concordo com ele em gênero, número e, como dizia o atrapalhado Ibrahim Sued, em “degrau”. E tem mais, ninguém falava tão bem sobre as mulheres na tela como ele. Basta conferir meia dúzia de seus filmes para saber do que estou falando. E o diretor fez do tema da solidão na infância uma de suas obsessões. Sua obra-prima e um dos clássicos do cinema, Os incompreendidos, é a prova disso. Mas têm outros, como o telúrico O garoto selvagem, uma espécie de Mogli do cinema francês.

Bom, como todo mundo que gosta de cinema, cheguei ao Truffaut via nouvelle vague, o movimento cinematográfico francês do final dos anos 50 e início dos anos 60 que fez a cabeça de zilhões de pessoas mundo afora. De Glauber Rocha a Domingos de Oliveira. De Coppola a Bertolucci. Passando por Wim Wenders, Fassbinder e, veja você, até Steven Spielberg.

Eram os meus tempos de descobertas na faculdade e, impressionado com a postura anarquista de Godard nas telonas, me surpreendi ainda mais com o contraste de estilo de seu colega de câmera em abordar com sutileza e paixão, a poesia da vida cotidiana ou as diabruras do amor e do universo feminino.

Mas tem uma associação entre o Truffaut e o pessoal do Clube da Esquina que gosto muito e que, de certa forma, foi uma grande motivação para eu mergulhar ainda mais na obra do diretor francês. O filme Jules e Jim, que nem gosto tanto assim, é uma espécie de obra marco na carreira dos músicos do movimento, uma espécie de ponto de convergência entre todos eles e que mudou a vida de Milton Nascimento para sempre. Isso é o que conta o compositor Márcio Borges em Os sonhos não envelhecem – A história do Clube da Esquina e o resto, meu caro, é história. Cinema e música e vice-versa tudo a ver.

Os incompreendidosTop Five – François Truffaut

Os incompreendidos (1959’) – Primeiro filme de Truffaut que vi na vida e até hoje é o seu trabalho que mais me comove com a história meio que autobiográfica do jovem solitário Antoine Doinel (Jean Pierre-Léaud), espécie de alter ego do diretor. Vencedor do prêmio do Festival de Cannes em 1959, a obra foi o ponto de partida tanto para o cineasta, quanto para o ator.

O homem que amava as mulheres (1977) – O filme é uma declaração de amor às mulheres e o personagem do filme, que bem poderia enquadrar em qualquer trama de Nelson Rodrigues, é um dos meus personagens preferidos.

A noite americana (1973) – Um dos melhores exercícios de metalinguagem já realizados pelo cinema, o filme mostra com ironia e elegância os bastidores da fábrica de sonhos do cinema.

Jules e Jim (1962) – Um dos filmes mais românticos de Truffaut, confesso que subestimo um pouco essa obra que tem um valor sentimental afetivo por conta da associação com o Clube da Esquina.

A história de Adele H (1975) – Amante dos livros, Truffaut presta uma homenagem aqui ao grande escritor Victor Hugo, numa adaptação impecável e com atuação sublime da bela Isabelle Adjani. Vi o filme duas vezes no Cine Brasília, o templo do cinema em minha vida.

* Este texto foi escrito ao som de: Clube da Esquina (Milton Nascimento/Lô Borges – 1972)

Clube da esquina

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