Diretores – Luis Buñuel

 

O cineasta ensinando os detalhes do pecada à atriz Catherine Deneuve em A bela da tarde

O cineasta ensinando os detalhes do pecada à atriz Catherine Deneuve em A bela da tarde

Foi por meio da pintura surrealista de Salvador Dalí, que cheguei ao cineasta espanhol Luis Buñuel, um dos mais originais e iconoclastas nomes do cinema de todos os tempos. E nos meus tempos de faculdade, assistir ao perturbador Um cão andaluz – seu primeiro projeto realizado em parceria com o amigo pintor, lá nos distantes anos 30 -, parecia ser um feito heróico e, se não foi, acabou sendo a porta de entrada para esse universo marcado por bizarrices e um anarquismo visual e criativo.

A paixão aumentou depois que ganhei e li seu livro de memórias, Meu último suspiro, escrito em colaboração com o francês Jean-Claude Carrière, roteirista-colaborador de muitos anos. Dono de um estilo inconfundível, Buñuel, assim como sua carreira, era um homem de muitas fases, fazendo carreira em seu país natal, a Espanha, França e México. Em todos esses lugares, realizou trabalhos chocantes, provocadores e inesquecíveis. Não esqueço uma mostra que rolou no CCBB com filmes raros de sua fase mexicana.

No geral, sempre foi um deleite ver a maneira com que ele expunha as fraquezas e o lado obscuro da natureza humana. Amigo e admirador, o cineasta Glauber Rocha escreveu certa vez. “Raros, mesmo entre os autores cinematográficos de hoje, os que podem ser considerados, além de poetas, pensadores”. Mais do que correto.

CãoTop Five – Luis Buñuel

A bela da tarde (1967) – Filme imortalizado por Alceu Valença em canção homônima, a trama traz a deliciosa Catherine Deneuve na pele de uma esposa recatada que vira prostituta de meio expediente para satisfazer seus desejos mais pervertidos. A frase marcante é quando o marido médico lhe explica o que é uma puta. “É aquela pessoa que você procura para se sentir bem e fica pior quando vai embora”.

O anjo exterminador (1962) – O enredo é simples e perverso. Após assistir a um espetáculo, um grupo de burgueses aceita jantar na casa de um deles, mas, quando resolvem ir embora, uma força sobrenatural não os deixa ultrapassar a porta da sala de jantar. Terror psicológico no melhor estilo, o filme também é uma crítica mordaz ao esnobismo elitista.

A ilusão viaja de bonde (1953) – Sendo bem sincero, o filme não tem nada de espetacular se comparado aos melhores trabalhos do diretor, mas é divertido ver os passageiros estranhos e bizarros fazerem a última viagem noturna de um bonde que irá sair de circulação. É o mestre do surrealismo transformando o cotidiano em algo extra-espetacular.

Viridiana (1961) – A ironia sempre foi uma das marcas registradas de Buñuel, que aqui atira suas farpas anárquicas contra a Igreja. Após desistir de ser freira, Viridiana dedica à filantropia, levando um bando de mendigos para a casa. Chocada com a selvageria dos miseráveis, se entrega à vida mundana. A paródia da Santa Ceia realizada pela trupe de molambentos é uma das mais provocadoras do cinema e provocou a ira dos católicos na Época. Mas tenho certeza de que o Papa Francisco iria adorar.

Um cão andaluz (1929) – Uma colagem de ideias experimentais absurdas, tendo como base a psicanálise e o submundo do inconsciente, o filme, na verdade um curta escrito junto com Salvador Dalí, é um marco inicial do surrealismo no cinema. Até hoje a cena em que a navalha corta um olho é de arrepiar.

* Este texto foi escrito ao som de: Plato Divorak & Os Exciters (2007)

Plato

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