Simbad, o Marujo

Patrick Wayne, filho de John Wayne, na pele do meu herói preferido

Patrick Wayne, filho de John Wayne, na pele do meu herói preferido das mil e uma noites

Simbad, o Marujo, foi meu herói de infância, o meu herói preferido das Sessões da Tarde. Se você tem mais de trinta anos, vai se lembrar, com certeza, das aventuras dele em alto mar e em terra firme, combatendo feras medonhas e mecânicas como morsas gigantes, primatas das cavernas e até um touro de ouro maciço. Mas o Simbad da minha infância não era qualquer Simbad não e sim aquele interpretado pelo Patrick Wayne, filho do mítico John Wayne. E o melhor deles, cara, foi Simbad e o olho do tigre, lembra? Como eram formidáveis aquelas montagens feitas pelo mestre dos efeitos especiais Ray Harryhausen. O Didi, dos trapalhões, que não era bobo e nem nada, também pegou o nome do personagem emprestado para uma de suas adaptações cômicas que fazia dos clássicos da literatura e do cinema.

Mas o que eu não sabia era que Simbad, assim como Aladim, Ali Babá, entre outros, eram personagens do monumental livro de contos oriental As mil e uma noites. Escritas em datas diferentes, algumas nos séculos 12 e 13, outras no século 15, outros registros mais antigas do que isso, as histórias têm origem em países como a Índia, Pérsia (atual Irã), Egito e países do Oriente Médio. Quer saber? Preciso dar um jeito de ter essa obra em minha estante mágica. Até lá, vou colecionando os contos em separados, como esse do Simbad, o Marujo, que roubei do depósito de uma escola outro dia. Isso mesmo, depois de velho eu dei para fazer molecagem dos tempos em que andava de calças curtas.

Eu sei que a edição não é lá essas coisas, mas traz ilustrações do Gustavo SimbadDoré, sujeito que desenhou histórias de muitos livros que passaram por suas mãos. Editado pela editora Hemus, o livro traz tradução de Noberto de Paula Lima e parece uma daquelas adaptações típicas do 2º grau. Mas me divertir à beça lendo. Tudo bem que as adaptações que fizeram para o cinema são bem melhores, mas nada tira o prazer da leitura. Aqui o personagem narra sete viagens que fez pelo Oriente Médio e regiões próximas em busca de fortuna e aventura. Em todas elas Simbad foi vítima de naufrágio, mas também protagonista de aventuras extraordinárias, enfrentado pássaros gigantes, ciclopes, canibais e navegando em rios que sobem contra o curso.

Confesso que algumas passagens chegam ser entediantes, de tão superficiais que são narradas e pouco prováveis de acontecer. E nem me refiro às lutas e desventuras vividas pelo nosso herói com criaturas bizarras e hediondas, que são as melhores partes. Mas ao que ele tem de mais terreno, abstratamente, falando. No livro, Simbad é sempre mostrado como um cara sortudo e cheio de bondade, o que na vida real isso é uma utopia desgraçada. E que obsessão ele tem pela fortuna.

Enfim, uma das passagens mais interessantes desses sete périplos é aquela em que ele é enterrado vivo, conforme a tradição de uma região do Oriente Médio. Segundo a tradição do local, o aquele que morrer do casal, deve ser acompanhado até o desterro pelo parceiro sobrevivente. O incrível é saber como ele se saiu dessa.

* Este texto foi escrito ao som de: Evergreen (Echo & The Bunnymen – 1997)

Echo

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