Alemão (2014)

No filme, o ator Cauã Reymond é o traficante Playboy, o dono do pedaço

No filme, o ator Cauã Reymond é o traficante psicopata, Playboy, o dono do pedaço

O cineasta José Eduardo Belmonte é o nome mais quente do cinema nacional no momento. Duvida? Pois então tire sua bunda gorda do sofá é vá conferir, o quanto antes, o mais novo filme do cara, o drama de ação Alemão, uma das estreias deste fim de semana em todo país. Com um elenco formidável encabeçado por Antônio Fagundes, a trama traz à tona um Rio de janeiro que grande parte dos gringos que virão para a Copa do Mundo não conhece. Muitos menos nós brasileiros, vítimas de um autismo social ou individualismo burguês. Trata-se de uma realidade que pulsa todos os dias nos noticiários de tevê e jornais impressos, mas que ignorados ver.

Daí o início do filme, fazendo alusão à grande festa que está por vir, soar provocador e ao mesmo tempo crítico. Alçado por imagens jornalísticas e pegada documental, a história se passa dias antes da invasão do Complexo do Alemão por forças armadas, numa operação que tem como medida do Estado, pacificar o lugar, um dos mais violentos da cidade do Rio de Janeiro. Lá, quem toca o terror e comanda o crime organizado é Playboy (Cauã Reymond), um traficante psicopata que, num primeiro momento, aceita essa queda de braço com o governo.

Seu reinado de poder e violência estão com os dias contados, quando ele descobre que um grupo de milicianos organizados pelo governo local, está infiltrado dentro da comunidade há meses, preparando o terreno para a invasão militar. “A rapaziada está à caça, está na selva”, ele dá a senha aos seus subordinados do inferno.

Alemão-bannerDescobertos e acuados, o grupo de milicianos – vividos pelos atores Caio Blat, Otávio Muller, Milhem Cortaz, Gabriel Braga Nunes e Marcello Melo Jr.- acabam isolados no porão de uma pizzaria de fachada, local que sempre foi o QG dessa operação. A única salvação é o delegado Valadares (Antônio Fagundes), o cabeça de uma missão que já nasceu morta. O desfecho é violento e exemplar.

Fortemente influenciado no cinema independente norte-americano dos anos 70, Alemão traz nas entrelinhas, inúmeras implicações sociais. O que soa politicamente perigoso e, porque não positivo, num momento em que o governo festeja os preparativos para a Copa do Mundo, um evento internacional visto com olhos tortos por parte da população brasileira.

Maduro, Belmonte realiza aqui, de longe, seu melhor trabalho do ponto de vista técnico, conduzindo sua câmera goddardiana com inteligência narrativa ao sabor de uma trama que mistura relações afetivas amorosas e familiares, uma boa dose de tensão e suspense e, claro, muita violência. Mas não de uma forma gratuita e banal.

Yes, nós também sabemos fazer filmes de ação.

Em entrevista que fiz com o cineasta e janeiro, ele me disse que filmar no meu da favela foi tenso e deu medo. Mas com apoio da segurança e da coragem do ator Cauã Reumond, uma revelação para mim como ator, eles improvisaram algumas cenas no meio do povo. “Foi muito louco filmar no meio das pessoas, meio sem avisar, mas deu certo”, confidenciou.

Um dos destaques do elenco é a jovem atriz de Brasília, Mariana Nunes, uma negra linda com seu rosto expressivo e marcante como uma máscara africana. Como se vê, José Eduardo Belmonte chegou à maturidade cercado de talentos experientes e revelações auspiciosas.

* Este texto foi escrito ao som de: Never mind the bollocks (Sex Pistols – 1977)

Bollocks

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