Bienal Brasil do Livro e da Leitura

Ariano Suassuna é um dos homenageados do evento este ano

O escritor pernambucano Ariano Suassuna é um dos homenageados do evento este ano

Encontrei ontem com o Nicolas Behr no lançamento oficial da II Bienal Brasil do Livro e da Leitura, realizado no Cine Brasília. Sabe, acho simpática ele com aquela figura ursina inconfundível, sempre com um penteado que lembra um daqueles druidas da saga O senhor dos anéis. Um bom papo esse poeta de estilo único que sempre tem boas histórias para contar. Ontem, quando ninguém estava olhando, ele me confidenciou meio que ciciando que descobrira que tinha pelo menos umas quatro pessoas do meio literário que o odeia.

– Como pode isso, cara! – me disse, chateado, entre o perplexo e o ingênuo.

No que eu, na falta de algo melhor para dizer, justifiquei:

– Inveja, Nicolas, Inveja!

Realmente, como pode isso, né?! O Nicolas Behr é uma das figuras mais doces que já conheci. Mas fazer o quê. Gente do mal tem em qualquer lugar, inclusive entre o meio literário. E falando em meio literário, o poeta teceu alguns comentários sobre o evento que irá transformar a cidade numa grande biblioteca entre os dias 11 e 21 de abril em Brasília. “Será o evento do ano, cara!”, disse, complementando ainda sobre a velha polêmica envolvendo escritores de fora e os locais, que se sentem desprestigiado. “Ah, sempre tem essa polêmica, para o bem e para o mal, ela é boa”, ironiza, bem ao seu estilo.

E é verdade. Até porque o evento é nacional, por acaso só acontece em BienalBrasília, não há razão de ser desse ciúme infantil da classe literária local que é um poço de vaidade debilóide. E por falar em vaidade, que discurso churumelas tanto do secretário de Cultura, quanto o de Educação que, aproveitando a ocasião, fez pré-campanha em prol do Agnulo. Logo, os dois eram duas “agnulidades” no encontro de ontem.

“E quando falo na próxima Bienal me refiro ao próximo mandato”, disse o secretário de Educação que nem sei o nome e nem faço questão de saber. Falando asneiras como essas, tem mais é que ter o nome esquecido e passar a vida inteira dando aula para as paredes.

Já o Hamilton Pereira mais uma vez encheu a paciência dos convidados com seu discurso balela sobre a ditadura militar no Brasil e na América Latina. Por sinal, o mesmo da coletiva de imprensa realizada há um mês na Biblioteca Nacional. Além de chato, o cara é ruim de memória. “O Brasil ainda não virou a página sobre esse assunto”, disse. Ora pelotas, ele é que não virou as páginas sobre o tema. O sujeito leva umas bolachas no DOI-CODI, fica meio lelé, traumatizado da vida e daí fica torturando a gente com suas picuinhas pessoais do passado.

Mas falando do evento em si. A II Bienal Brasil do Livro e da Leitura é sim, um evento importante para os amantes da literatura. Até porque é a chance de nós, simples mortais, de estar perto de nossos ídolos do segmento. Mestres como o pernambucano Ariano Suassuna e o uruguaio Eduardo Galeano, os dois grandes homenageados desse ano. Mas ainda tem o Ruy Castro, o compositor Capinan, o Ziraldo, o jornalista e escritor Mino Carta, o irreverente João Ubaldo Ribeiro e mais uma centena de outros nomes que irão afirmar identidades e diferenças ao longo do encontro.

“A literatura é uma grande árvore sem folhas, mas de sombras permanentes”, disse o Nicolas Behr, citando alguém que agora não lembro. Bem, disse quem entende do assunto. Espero que esse encontro literário seja um sucesso, para o bem ou para o mal. Melhor do que a Copa do Mundo.

* Este texto foi escrito ao som de: Crocodiles (Echo & The Bunnymen – 1980)

Crocodiles

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