A gaiola dourada (2014)

Raro ter um filme português no circuito comercial, então veja

Raro ter um filme português no circuito comercial, então veja

É raro você ver um filme português dando sopa no circuito comercial. Quando muito, destaques de mostras de cinema em espaços culturais como o CCBB ou Itaú Cinema. Por isso que, quando vi a comédia dramática A gaiola dourada, em cartaz na cidade, corri lá para ver. Dirigido por Ruben Alves e protagonizado pelo ator Joaquim de Almeida, talvez o nome lusitano mais popular do momento, a trama gira em torno de uma família portuguesa que, há 30 anos mora em Paris. Ela, Maria (Rita Blanco), é síndica do prédio onde moram. Ele, José Ribeiro (Joaquim de Almeira), um operário. Juntos criam o casal de filhos que vivem fases distintas da vida. E tudo que os pais querem é voltar para a terra natal, mas a cada dia essa ambição parece ser uma utopia.

“Somos portuguesas. Acompanhamos nossos maridos até o tumulo”, lamenta a esposa.

Um dia o patrão francês de mais trinta anos o chama no escritório e lhe agracia com um aumento de salário do nada. Claro que o extremo gesto de bondade vindo de alguém pertencente a um povo conhecido pelo egoísmo, surpreende, e ele passa ver a questão desconfiado. Ainda mais quando o filho do mesmo patrão está de namoricos com sua filha. O casal de namorados se ama de verdade, A gaiola douradamas o velho empreiteiro está de olho nos negócios no qual o amigo empregado é peça fundamental.

Divertido e carregando nas tintas caricatas dos portugueses, mas de um jeito que não parece exagerado, o filme é mais uma daquelas histórias em que o tema central se cerca em torno da importância das origens que cada um de nós valorizamos, de um jeito ou de outro. No caso aqui, os ??? são alucinados por bacalhau, um bom vinho e seus ídolos do futebol. “Tanto filho no mundo e logo o meu cisma de não gostar de futebol”, lamenta um dos pais portugueses, fã número um do jogador lusitano Pauleta, que faz uma pequena ponta como ele mesmo na fita.

Conhecido do público brasileiro por sua atuação no papel-título do filme O Xangô de Backstreet, adaptação do livro de Jô Soares, Joaquim de Almeida encarna bem aqui um homem simples das ruas apegado às suas raízes. Mas quem rouba a cena é o elenco feminino, com seus rompantes de histeria e divertida espontaneidade lusitana. Veja, por exemplo, a cena que elas armam ao redor de uma farta mesa de jantar, onde as duas famílias dos namorados encenam o que não são no dia a dia.

E como não poderia faltar em um bom e autêntico filme português, algumas passagens de A gaiola dourada são embaladas pelo lirismo do fado, música tradicional de nossos descobridores.

* Este texto foi escrito ao som de: O espírito da paz (Madredeus – 1994)

Madredeus

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