Milan Dusek – Um mestre das gravuras

Um bate-papo descontraído com o artista plástico em sua casa no Lago Norte

Um bate-papo descontraído com o artista plástico em sua casa no Lago Norte

Prestes a completar 90 anos, Milan Dusek é um dos mais importantes gravuristas do país. Além de não saber disso, nem me dava conta de que ele existia. Pior, apesar do sobrenome, não desconfiava que ele fosse pai do cantor, compositor e ator Eduardo Dusek. Isso que dá não ser familiarizado com o universo das artes plásticas. Confesso que essa é uma limitação que tenho. Mas enfim, não se pode saber tudo. Mas podemos correr atrás, investigar, descobrir, conhecer.

Por isso que, na última sexta-feira, lá estava eu no Lago Norte, na casa do velhinho, que é uma simpatia no seu jeito de ser. Apesar de ter começado na arte fazendo escultura e depois pintura, ele se apaixonou perdidamente pela gravura e fez dela sua musa de toda uma vida. Tanto que sua casa é cheia de gravuras por todos os lados.

O mundo mudou muito nos últimos 15 anos, quando a máquina fotográfica surgiu, foi um tapa na cara de quem fazia pintura. Hoje tudo se resolve com um clique de botão”, lamenta.

O exercício da gravura, com todo o seu processo manual, é um deleite para esse artista que aprendeu a se adaptar conforme a evolução das artes. “No começo, a gravura foi imaginada como algo utilitário, a natureza humana foi se aperfeiçoando, evoluindo e hoje a olhamos como arte”, explicou em tom professoral. “Talvez pela curiosidade e vontade de explorar o trabalho manual, em fazer com que as emoções fossem transmitidas pelas mãos”, observou com a experiência de um mestre.

Pois bem, com mais de 70 anos de vida dedicados à arte, Milan Dusek tem sua vasta obra revisitada Gravurasagora com dois projetos importantes. Mais do que merecido. Um deles é o lançamento do catálogo virtual Milan Dusek – Obra gravada, que já está à disposição dos amantes das artes plásticas na internet. O volume digital, recheado de ensaios críticos e depoimentos de artistas plásticos admiradores do trabalho de Dusek, reúne 180 trabalhos de gravuras, realizados pelo artista entre 1959 e 2001. Os destaques são obras com traços clássicos como Rio antigo (1960) e o simbólico BsB in the sky with diamonds (Sem data), uma brincadeira com o título da clássica canção dos Beatles.

Eu não sabia o que fazer com o céu dessa gravura então lembrei da música dos Beatles e enchi de estrelas ”, revela o artista, cheio de graça.

A outra novidade é uma exposição de mesmo nome aberta ao público a partir de hoje no Memorial Darcy Ribeiro – Beijódromo, com 14 gravuras desse acervo virtual.

Nascido em Praga, na antiga Tchecoslováquia (hoje República Tcheca), em 1924, Milan Dusek, como muitas crianças de sua geração, ele desembarcou no Rio de Janeiro, com sua família, em 1939 ,fugindo do fantasma da 2ª Guerra Mundial. Radicou-se em Brasília desde o início dos anos 70 e até então, eu, que me proponho  ser um autêntico homem da cultura, nem sabia de sua existência. Equívoco que foi reparado com um encontro inesquecível.

* Este texto foi escrito ao som de: Cantando no banheiro (Eduardo Dusek – 1982)

Cantando no banheiro 2

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