Diretores – Luchino Visconti

Alain Deloin dirigido por Visconti em Rocco e seus irmãos

Alain Deloin dirigido por Visconti em Rocco e seus irmãos. Filme é querido da crítica

Há uma trinca de ases formidáveis de cineastas italianos que habita meu inconsciente afetivo de forma apaixonante. Os três fazem parte dos tempos áureos do cinema da Itália e, de certa forma, o Oscar de Melhor Filme Estrangeiro, recentemente, para o amargo e pessimista A grande beleza, de Paolo Sorrentino, foi uma homenagem aos três e a esse passado glorioso dos tempos da Cinecittà.

Elegante e culto, Luchino Visconti era o diretor dos épicos italianos, cuja exuberância visual e imponência de seus filmes serviam de sólida base para histórias cheias de personagens grandiloquentes e perturbados. E o tema da destruição da família, de uma maneira ou de outra, norteava seu cinema clássico. E, oriundo de uma família tradicional e de grandes posses, como tinha de ser, era um ferrenho crítico da sociedade burguesa a qual pertencia. Vide seus filmes e lá estarão essas questões. Falei do estilo clássico e exuberante do cineasta italiano e essa tendência reverbera no fato de a formação de Visconti estar na ópera e no teatro.

E esses elementos todos que foram permanentes ao longo de uma vida inteira, também estiveram presentes em sua morte, como mostra um curto documentário de seu funeral, que vi num dos extras do DVD que tenho. Lá está, por exemplo, a figura galante de um Burt Lancaster – astro norte-americano de dois de seus filmes – a contemplar, num misto de admiração e devoção, com olhar estático de esfinge, a despedida do amigo.

Top Five – Luchino Visconti

O leopardo (1963) – A beleza plástica do filme, com sua fotografia épica, e dramaticidade da Rocco 2história que gira em torno do surgimento da nova Itália, com a troca da nobreza pela burguesia, é a essência desse clássico. Burt Lancaster no papel central está no mínimo magnânimo e, se você for esperto, vai ver o ator Terence Hill (do Trinity) entre uma cena e outra, num daqueles bailes imponentes que só Visconti sabia filmar.

Violência e paixão (1974) – O filme traz nas entrelinhas um assunto caro ao diretor, o homossexualismo. Na trama, Burt Lancaster é um intelectual que se vê envolvido com um grupo de jovens metidos em encrencas políticas. O roteiro teatro privilegia os diálogos que gira em torno do tema da decadência.

Rocco e seus irmãos (1960) – De longe o filme mais prestigiado do cineasta pela crítica, traz na essência o tema da destruição da família, com a história dos Parondi, que resolvem deixar a terra natal, no interior de uma Itália feudal, em busca de melhores horizontes na cosmopolita Milão. Mas a cidade grande reserva mistérios e surpresas desagradáveis ao clã. Vencedor do Leão de Ouro em Veneza, o filme projetou a carreira de Alain Delon internacionalmente.

Morte em Veneza (1971) – Para muitos especialistas é a melhor adaptação de um livro do escritor alemão Thomas Mann que já fizeram. Seguindo as pegadas de um compositor em crise, Visconti mergulha o espectador numa trama densa, agônica e com uma fotografia, propositalmente, degradante.

Noites brancas (1957) – Baseado num conto de Dostoiévski, o filme tem um clima de poesia e sonho que cerca o casal apaixonado da trama vivido por Marcello Mastroianni e Maria Schell.

* Este texto foi escrito ao som de: Ocean rain (Echo & the Bunnymen – 1984)

Ocean rain

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