Dangerous glitter – O submundo do glam rock

David Bowie, Iggy Pop, Lou Reed e o empresário Tony Defries ao fundo...

Glam trio: David Bowie, Iggy Pop, Lou Reed e o empresário Tony Defries ao fundo…

Podem torcer o nariz, sim, mas foi graças à versão do Nenhum de Nós para a música do David Bowie que fui prestar atenção no cara. Mas só fui gostar dele de verdade mesmo por causa do meu amigo Alex Vidigal. Isso lá nos meus tempos de faculdade e isso já faz muito e muito tempo atrás. Um dos artistas mais versáteis do nosso tempo, o camaleão do rock, como o apelido elucida, é conhecido por sua capacidade genial de se reinventar ao longo dos anos. Mas o que aconteceria se essa força inventiva da música, que flertou com o cinema e outros gêneros artísticos, um dia se encontrasse com duas lendas do rock em Nova York e estou falando de Lou Reed e Iggy Pop?

Bem, isso pelo menos é o que mostra o sensacional livro Dangerous glitter, do inglês Dave Thompson. Reunindo uma séria de entrevistas com esses dois últimos e depoimentos de muita gente bacana que orbitou na órbita desses três astros, ele conta como David Bowie, Lou Reed e Iggy Pop foram ao inferno e voltaram do limbo só para salvar o rock ‘n’ roll. E pode botar aí muito batom, purpurina e brilhantina.

“Sou um fã dos três desde os 12 ou 13 anos, e estava sempre decepcionado que nenhuma das biografias que li sobre eles me disseram o que eu queria ouvir. Então escrevi eu mesmo”, me disse o autor, em entrevista por e-mail.

Dangerous Glitter 2O livro é ultra, mega bacana por trazer à superfície muita gente importante daquela reluzente cena que ficou escondida ou esquecida por debaixo do carpete da história. Um deles, claro, é o estranho artista plástico, ícone da pop art, Andy Warhol. Outra é a cantora alemã Nico, os dois, figuras chaves na formação e surgimento impactante do Velvet Underground, talvez uma das bandas mais influentes do rock dos anos 60. Mas sem dúvida uma das pessoas mais interessante desse meio é o empresário Tony Defries, responsável não apenas por trazer David Bowie à cena, do jeito como o conhecemos, mas por turbinar a união desses três gênios nos anos 70.

Uma das passagens do livro é quando ele quis transformar o rebelde Iggy Pop em estrela do cinema:

– Queremos começar a pensar em projetos de filme para você. Nós o vemos como Peter Pan.

Ao que Pop, ofendidíssimo, responde:

– Peter Pan porra nenhuma! Vamos fazer Manson. Vou ser Charlie Manson. – Disse ele, referindo-se ao psicopata que matou em 1969 a atriz Sharon Tate, então mulher do cineasta Roman Polanski, e os amigos delas na mansão do cineasta em Hollywood.

Aliás, o que não falta em Dangerous glitter são momentos hilários e bizarros, contados pelo autor num estilo empolgante, revelador e divertidos. O livro, recheado de notas de rodapé e discografia básica dos principais nomes da época, é um dos melhores livros do gênero que li recentemente. Uma delícia de se ler ao som não apenas de David Bowie, Lou Reed e Iggy Pop, mas também do Velvet Underground, John Cale, T. Rex, Nico, The Stooges, Mott The Hoople e por aí vai. Então passe sua maquiagem na cara e aumente o som aí meu chapa, isso é glam rock.

* Este texto foi escrito ao som de: Paris 1919 (John Cale – 1973)

Paris 1919

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