Do tédio do carnaval – ou não…

Carnaval de rua é um saco, com toda essa algazarra urbana com cheiro de urina, cerveja e suor vencido

Carnaval de rua é um saco, com essa algazarra urbana com cheiro de urina, cerveja e suor vencido

Que eu me lembre, carnaval para mim só era bom mesmo por causa das mulheres peladas. Mas eu tinha 12 para 13 anos e me empolgava tanto com as musas da Sapucaí, quanto com as belas cursas da Nicole Puzzi ou da Aldine Müller, nas madrugadas insones do SBT. Mais tarde, com o tempo, é que fui vendo e entendendo que carnaval no Brasil era coisa séria, seríssima, tão séria que reservaram quatro dias de festa e folia. Afinal, para todos os defeitos, é a mais genuína expressão da nossa cultura popular, uma das festas mais belas do planeta. Isso pelo menos é o que todo mundo vê e fala. Eu, no cume da minha desmotivação e ignorância, nunca vi nada disso.

Sendo bem sincero, mas de uma sinceridade ululante, para mim essa época do ano é sinônimo de baderna, barulho e promiscuidade. Estou sendo hipócrita? Talvez, mas quem não é? O fato é que não acho a menor graça em sair por aí fantasiado de pirata da perna de pau e tascando a língua em qualquer ser vivo de saia ou não que se vê pela frente.

Sou do tipo que gosta de ficar em casa lendo um livro, assistindo a um filme ou tocando meu violão. Como disse o Sá, o Guarabira e o Zé Rodrix, tudo o que quero é uma casa no campo e nada mais.

MangueiraMas até pouco tempo atrás eu bem que ficava deslumbrado com os desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro, mais pela grandiosidade da coisa do que pela festa em si. Mesmo um chato como eu é capaz de ficar deslumbrado e fascinado com aqueles enormes carros alegóricos pintados de cores vibrantes e adornados com adereços lustrosos. E é difícil ficar indiferente ou inquieto diante de uma bateria de escola de samba, muito menos com a alegria sincera e inocente das baianas, assim como com a energia dos mestres-sala e porta-bandeiras.

E daí tem os enredos elaboradíssimos que se propõe a contar toda a história do tema abordado a partir de uma abordagem sócio-cultural. Haja carros alegóricos, alegoria, alas e fantasias para materializar isso na Avenida. E confessando uma coisa do arco da velha, direto do túnel do tempo da minha memória, lá pelos meus seis anos me encantei com o impronunciável enredo da Império Serrano de 1982, Bum bum praticumbum prugurundum. O que diabo isso queria dizer não sei, mas que era gostoso de ouvi e cantar era.

E quer saber? Devo estar delirando ou alguma coisa do tipo, mas tenho vontade de desfilar um dia na Mangueira. Não me pergunte por que escolhi a escola fundada, entre outros, por Cartola, mas tenho esse desejo secreto guardado a sete chaves dentro de mim. Bom, alguém disse que pelo menos uma vez na vida tem que sambar na Sapucaí, talvez seja por isso.

Mas essas fantasias são coisas da cabeça de um menino que não existe mais. No fundo, acho tudo isso uma chatice sem fim. No mais, carnaval de rua é um saco, com toda essa algazarra urbana com cheiro de urina, cerveja e suor vencido.

* Este texto foi escrito ao som de: Sassaricando (2007)

Sassricando

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