Diretores – Alfred Hitchcock

No filme, o queridinho dos franceses, James Stewart é um professor esperto que surpreende os pupilos

No filme, o queridinho dos franceses, James Stewart é um professor esperto que surpreende os pupilos

Alfred Hitchcock não escreveu um roteiro na vida. Mas sempre estava na cola de seus colaboradores e atento a cada sugestão da mulher Alma, por sinal, montadora de alguns de seus filmes e espécie de sombra sua também. Talvez já prevendo o que passaria nas mãos do mestre do suspense, quando este o convidou a escrever a trama de Pacto sinistro – baseado em livro de Patricia Highsmith -, que o escritor de romances policiais Raymond Chandler soltou a seguinte frase ao vê-lo chegando a sua casa para um bate-papo.

– Olha aquele cretino gordo tentando sair do carro.

Injustiça porque a presença criativa de Hitchcock estava tão enfronhada nos filmes que dirigiu que podia creditá-lo, de olhos fechados, como co-roteirista, mesmo que ele não tenha escrito uma linha sequer. E sabe por quê? Porque muitas das inesquecíveis ideias visuais que você viu e adorou em filmes como Disque M para matar, Pacto sinistro, Ladrão de casaca, O homem errado, Um corpo que cai, Janela indiscreta, Psicose, Os pássaros e tantos outros, saíram de sua cachola.

Não tem como deixar de reconhecer o estilo do cineasta que inventou o suspense no cinema. E também é impossível passar incólume diante de suas musas, que foram muitas e belas, focadas de forma lascivamente sexuais por sua lente. Eu gosto de Grace Kelly em Ladrão de casaca e Disque M para matar, Ingrid Bergman em Interlúdio e a graciosa Joan Fontaine em Suspeita.

HitchcockTop Five – Alfred Hitchcock

Janela indiscreta (1954) – Em tempos de Big Brother, a história de um sujeito que bisbilhota a vida das pessoas da janela de seu apartamento pode até parece maçante nos dias de hoje. A diferença que tanto Hitchcock, quanto James Stewart têm mais elegância do que qualquer um desses macacos enjaulados do programa global.

Psicose (1960) – Não é apenas um dos mais impactantes filmes do diretor, mas também um dos mais emblemáticos do cinema. A ousadia já começa pelo tema, onde o personagem central é um psicopata, interpretado por um ator – Anthony Perkins -, que toda mãe queria como genro. E o pior é que torcemos por ele no final.

Festim diabólico (1948) – Os franceses têm um xodó por esse filme. Me too! Talvez pelo fato de, do ponto de vista do suspense, ser seu filme mais autêntico. A narrativa é tão envolvente e instigante que o espectador a acompanha do início ao fim como se estivesse segurando sua vida por entre os dedos. E James Stewart na pele do professor esperto está um sundae.

Um barco e nove destinos (1944) – Com roteiro de John Steinbeck, é de longe o filme mais claustrofóbico do diretor. Narra história de nove náufragos que tentam sobreviver em pleno mar e quando eles acham que estão conseguindo uma surpresa desagradável surgem em cena. Questões como egoísmo e patriotismo são abordados de forma cínica.

O homem errado (1956) – A atuação de Henry Fonda na pele de um homem de família comum preso por engano é de cortar o coração. Um dos poucos filmes do diretor em que o drama sobressai mais do que o suspense.

* Este texto foi escrito ao som de: Jackson Browne (1972)

 Jackson Browne

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