Diretores – Charlie Chaplin

A pieguice dessa cena final de "Tempos modernos" é de fazer chorar...

A pieguice dessa cena final de “Tempos modernos” é de fazer chorar…

O sentimentalismo dos filmes de Charlie Chaplin me comove. Talvez porque seja tão óbvio demais. Talvez porque o ser humano seja piegas por natureza e eu, I’m sorry, baby, sou piegas e o que posso fazer?! Mas quem não é? Sabe aquela cena de O garoto em que Carlitos abraça o personagem do título como se fosse o último dia de sua vida? Pois bem, choro horrores assim, tipo lágrimas de esguicho na calçada da amargura. E essa última frase é de um clichê vagabundo eu sei, whatever.

Contudo, o filme do mestre da pantomima que me comove mais é Tempos modernos. Acho que é pela forte premissa social e para quem não sabe ou não que enxergar Charlie ou Charles era um artista com idéias socialistas. E, como tal, vivia suas contradições. Por exemplo, era o sujeito que olhava, pensava pelos pobres, pelos desfavorecidos, os menos privilegiados, mas vivia como um príncipe. Um autêntico príncipe de Hollywood. Mistérios!

Pois bem, fui me aprofundar, mergulhar de corpo e alma na obra do artista na faculdade. Vocês já sabem a história, graças aos professores Antônio Máximo e Gustavo Lisboa. E à medida que eu ia vendo, um a um, os filmes do diretor clássico do cinema mudo que se multiplicava em várias funções como roteirista, montador e compositor, ia me apaixonando por sua ingenuidade socialista, pelo seu romantismo simplista. Chaplin queria mudar o mundo com seus filmes e quase conseguiu seu ímpeto, não fosse a burra mentalidade mercantilista que o cercava. A burra mentalidade mercantilista do cinema americano. Chaplin, com sua sinceridade ingenuidade simplista estava acima de todos.

Charlie - Luzes da cidadeTop Five

Tempos modernos (1936) – A forte e nauseante crítica que Chaplin imprime ao filme chega a ser sufocante. Mas ele a faz com uma sutileza tão lírica que nos desarma de sobremaneira. A cena mágica do filme é quando o ingênuo Carlitos/Chaplin, inocentemente pega um bandeirola de sinalização que caiu de um caminhão e se transforma num líder sindicalista. Eis aí a essência do filme que faria Lênin orgulhoso. Daí tem o final lírico de chorar, respigando esperança.

 O garoto (1921) – Melodrama clássico cujo mote o Renato Aragão – o eterno Didi – copiou a exaustão, tem como clímax a cena em que Carlitos, um pai postiço, faz de tudo para manter a guarda do peraltinha do título.

Luzes da cidade (1931) – O plot clássico romântico. Carlitos é um miserável sem eira nem beira que se apaixona por uma florista cega que não tem onde cair morta. A intensidade com que ele se entrega a esse romance é apaixonante. A cena mágica é a da porta do carro, que ilude a menina de que ele é um sujeito rico. Biógrafos contam que ele parou as gravações durante semana para bolar essa sequência. Toque de mestre.

O grande ditador (1940) – Primeiro longa falado de Chaplin, é, de longe o filme mais humanista do artista. A paródia que ele faz de Hitller, na época anda no poder, é de uma coragem irresponsável poucas vezes vista no cinema. O discurso virulento não de Carlitos o Ditador, mas do próprio Chaplin é até hoje incômodo pela atualidade.

O circo (1928) – Para todos os defeitos, a arte circense está na alma desse artista multifacetado e versátil. Aqui ele presta uma homenagem comovente a esse mágico universo.

* Este texto foi escrito ao som de: Sandy (Sandy Denny – 1972)

Sandy Dennis 4

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