The Johnny Nit Circus

Líder da banda brasiliense Phonopop lança projeto solo de beleza comovente

Líder da banda brasiliense Phonopop, Fernando Brasil, lança projeto solo de beleza comovente

Permita-me que eu escreva duas ou três coisas sobre o som que anda fazendo a minha cabeça nos últimos dias. Trata-se de The Johnny Nit Circus, projeto paralelo do líder do Phonopop Fernando Brasil. Disponível na internet, o trabalho, todo gravado em inglês, é de uma singeleza sonora incrível. Tanto que até agora não consigo tirar da cabeça as canções. Algumas faixas, quando ouço, me dão nó na garganta, caso da tocante, Heavy silences. É folk made in Brasília da melhor qualidade.

Para quem não sabe, o Phonopop é uma das bandas importantes do cenário independente brasiliense nos últimos dez anos ao lado de Suíte Super Luxo (a minha queridinha), Prot(o) entre outras. Escutei muito o primeiro disco deles, Já não há tempo, que tinha uma vibe assim bem britpop, o movimento que eu estava curtindo muito na época.

Inquieto, Fernando Brasil é um desses artistas de Brasília que, ao invés de ficar mofando de inveja alheia pelos cantos ou só reclamando, age, faz. Tem como companheiros nesse estilo ousado de ser, o cineasta José Eduardo Belmonte e o músico Eron Falbo, que recentemente conseguiu gravar um disco lá fora produzido – veja só – por Bob Johnston.

Eu já conhecia essa veia root dele por meio do duo Greens Folkies onde, ao lado de Flávio PhonopopPennacchio (violino e banjo), embalava as noites de Brasília com covers de Bob Dylan, Niel Young, Johnny Cash, Donovan, Stones, Beatles entre outros. The Johnny Nit Circus é mais introspectivo. A começar pelo próprio nome, uma referência ao blog cultural em português que o artista tocava algum tempo atrás, o João Lêndea. É bem sacado é dá brecha para uma série de referências. Sei lá, coisas do tipo o Rock ‘n’ Roll Circus dos Stones ou as pulgas amestradas de Chaplin em Luzes da ribalta (1952).

Além de cantar bem em inglês, Fernando Brasil escreve bem na língua de Shakespeare. Desse detalhe mora a beleza do projeto que deve sair logo em compacto e Vinil. E eu só quero saber quando vamos ver novamente shows desse trabalho relevante por aí. Além de Heavy silences, que tem um clipe de uma beleza estranha no site (http://www.reverbnation.com/johnnynit), destaco ainda a solar Spring coming by, escrita na época em que o artista morava em Londres, e Killing words, que tem traços biográficos.

Dreamscape, a última faixa do projeto gravada entre 2013 e 2014, é Lennon em toda a sua essência. Já Skyscrapers, o registro mais “alta” de The Johnny Nit Circus, lembra alguma coisa da fase mais legal do Blur.

Bem, legal ver pulsar na cidade iniciativas criativas tão sensíveis assim. Serve como estímulo. Sou apaixonado por música folk. Se eu tivesse uma banda faria um som similar assim. Como não tenho nenhuma banda similar, me resta sentar aqui comigo mesmo e tirar no violão uma ou duas canções. Dessas que não saem da minha cabeça.

* Este texto foi escrito ao som de: The Johnny Nit Circus (2013)

The Johnny Nit Circus 2

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