Melancolia (2011)

No filme, Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg são duas irmãs com medo do apocalipse

No filme, Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg são duas irmãs com medo do apocalipse

Entre Ninfomaníaca – em cartaz na cidade -, e Anticristo (2009), o dinamarquês maluquete Lars von Trier realizou Melancolia (2011), que só tive coragem de ver outro porque o filme estava de bobeira no Telecine Cult. Disse coragem e explico. Minha experiência com relação ao acachapante Anticristo foi tão traumática e desgastante que fiquei com medo de ver outros filmes do cineasta. E isso não é necessariamente uma crítica, mas acontece que você tem que estar bem preparado psicologicamente para embarca num projeto de Lars von Trier. Acho que não vou ver Anticristo tão cedo.

Daí, como tinha visto Ninfomaníaca e percebi que o projeto não era tão agressivo assim, do ponto de vista moral, me animei em ver Melancolia, que é um drama com pegada de ficção científica. Na trama, a Terra está prestes a colidir com um planeta chamado Melancolia. Esse incidente iminente será mostrado do ponto de vista de duas irmãs. Justine (Kirsten Dunst), que acabou de se casar, e Claire (Charlotte Gainsbourg), uma mulher mais madura, já casada e com filho. É ela quem organizou a festa de casamento da irmã num suntuoso palácio que tem campo de golfe com 18 buracos à beira de um lago, pertencente ao marido meio esnobe (Kiefer Sutherland).

MelancoliaSó que as coisas não acontecem do jeito que era para ser e tudo não passa de aparência.  Vaticinando o pior, ou seja, o vazio da situação, a mãe da noiva vivida por uma pétrea Charlotte Rampling desabafa rabugenta. “Eu odeio casamentos. Espero que vocês aproveitem enquanto dure”, diz. Mas antes que a festa chegue ao fim Justine acaba sem noivo e com um medo doentio do que possa acontecer à humanidade por causa do fenômeno científico. “Tem gosto de cinza”, reclama ao mordiscar, depressiva, um pedaço de bolo. “A Terra é má. Não precisamos nos preocupar com ela”, constata pragmática, quando vê que todos estão perdidos.

Já Claire, incomodada com o otimismo do marido, prefere consultar a internet e constata que as previsões sobre o caso não são nada favoráveis. Então o desespero toma conta e ela busca uma saída trágica que não coloca em prática. O desfecho do filme impressiona pelo grande ponto de interrogação deixado por Lars von Trier.

O estilo de filmar e narrar do diretor dinamarquês é bem particular. Elementos que ganham força a reboque dos temas escolhidos pelo artista, no caso aqui, pelo o que eu li, motivado por uma depressão dele. Há muitas referências em Melancolia. O jardim palaciano do filme, por exemplo, lembra o do clássico O ano passado em Marienbad (1961), de Alain Resnais. O cenário de publicidade da trama parece ter sido inspirado em 2001: Uma odisséia no espaço, do mestre Stanley Kubrick. E o desespero dos personagens em meio a tanto luxo e glamour parece ter sido extraído do elegante, A noite, de Antonioni.

Não sei se entendi o filme, mas pelo menos não foi tão sofrível quanto ao filme anterior. Lars von Trier é assim, um cineasta do desconforto que, gostemos ou não, faz a diferença.

* Este texto foi escrito ao som de: 461 Ocean Boulevard (Eric Clapton – 1974)

Eric Clapton

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