O lobo de Wall Street (2013)

Por sua atuação no filme Leonardo DiCaprio merece ganhar o Oscar de Melhor Ator

Por sua atuação no filme Leonardo DiCaprio bem que merecia ganhar o Oscar de Melhor Ator

Até agora já foram cinco parcerias no cinema do ator Leonardo DiCaprio e o cineasta Martin Scorsese. O primeiro encontro desses dois titãs da sétima arte aconteceria em 2002, com Gangues de Nova York (2002), a fábula épica sobre a criação de Nova York. Depois vieram O aviador (2004), Os infiltrados (2006) – que rendeu a Scorsese o Oscar de Melhor Filme, Diretor e Edição -, Ilha do medo (2010) – que não entendi nada – e agora o delicioso O lobo de Wall Street, que vi ontem. Indicado a cinco estatuetas este ano, entre elas a de Melhor Filme, Diretor e Ator para DiCaprio, o filme, uma das estreia de hoje, surpreende em vários aspectos.

Primeiro pela pegada jovem de Scorsese que parece não ter deixado a idade o esmorecer. Com 71 anos, o diretor de clássicos com Taxi Driver (1976) e Touro indomável (1980), deixa muito cineasta jovem no chinelo e tem como vantagem a experiência, ou seja, o grande conhecimento cinematográfico que adquiriu ao longo de uma carreia marcada por sucessos. Em Hollywood, quilometragem é tudo. Assim, recheia a narrativa de O lobo de Wall Street com uma montagem ágil e envolvente, fazendo parecer os quase 180 minutos de filme voar.

Wolf 2Depois pelo roteiro primoroso de Terence Winter (Família Soprano e O império do contrabando), a partir do best-seller biográfico de Jordan Belfort, um corretor que se deu bem em Wall Street, nos anos 80 e 90, até pegar alguns meses de prisão por vários crimes. E foram meses e não décadas porque ele colaborou com a justiça. É meu chapa, nos Estados Unidos a coisa é séria, bandido vai para cadeia, com ou sem dinheiro.

Mas, sobretudo, pela atuação estupenda de Leonardo DiCaprio que, se não abiscoitar o Oscar de Melhor Filme desta vez é puro preconceito da academia por ele ter um rosto bonito. Confesso que Leo é um ator que engana o espectador. No começo dos filmes você fica meio desacreditado com seu desempenho, mas aos poucos ele vai crescendo, crescendo, crescendo, até te ganhar com um desfecho fulminante. Em O lobo de Wall Street, que ele produz junto com Martin Scorsese, é assim.

Há pelo menos dois momentos impagáveis no filme com ele no comando. Um deles é quando o astro pega o microfone nas mãos e começa a berrar como um pastor conduzindo uma “festa da ganância” para um bando de drogados, ninfomaníacos e ambiciosos loucos. O outro a hilária cena em que se arrasta pelo chão torto e enviesado sob efeito de drogas sintéticas. “Um dia você vai sofrer as consequências”, vaticina o pai. “Quem quer viver na merda de um mundo real”, retruca, ele, cheio de soberba e o preço que paga é bem caro, mesmo com todo dinheiro que tem.

E O lobo de Wall Street acaba sendo sobre isso, ou seja, a ganância humana. Não importa o quanto alto você esteja porque um dia acaba caindo. E o tombo será feio. Não existe crime impune.

* Este texto foi escrito ao som de: Burnin’ (John Lee Hooker – 1962)

John Lee Hooker

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