Pais e filhos (2013)

Drama japonês explora a psicologia do afeto a partir da troca de crianças

Drama japonês explora a psicologia do afeto a partir da troca de crianças na maternidade

Pais e filhos é o título de um romance do escritor russo Ivan Turgenyev escrito em 1862. Também dá nome a um dos maiores sucessos da Legião Urbana, que por sua vez pode ter servido de inspiração – pelo menos em parte -, para o Renato Russo escrever a letra. Contudo, Pais e filhos ainda empresta o título em português de um drama japonês em cartaz no Liberty Mall.

Dirigido por Hirokazu Koreeda, o filme é comovente do começo ao fim. Conta o drama de duas famílias que têm os filhos trocados na maternidade. Acontece que o imbróglio só foi descoberto agora, seis anos depois, com a confissão de uma enfermeira frustrada com o casamento e tem início assim a tragédia pessoal dessas duas crianças e de seus pais.

“Por sua causa minha família está destruída”, diz com o coração carregado de dor um dos pais, o arquiteto Ryota Nonomiya (Masaharu Fukuyama).

A questão poderia ser resolvida da maneira mais fácil possível, ou seja, passando uma borracha em tudo, esquecer os erros do passado e seguir o caminho sem a troca dos meninos como se nada tivesse acontecido. Mas daí vem a milenar honra nipônica e todos os preceitos que isso implica e não tem jeito, a troca é inevitável, insustentável até, e por motivos óbvios, causando Pais e filhos 2transtornos para as crianças e os país. Enfim, todos os envolvidos.

“E ninguém pode substituir você de ser o pai dele”, comenta o outro pai da jogado em tom de bronca ao agora amigo Ryota, questionando sua ausência em casa.

Exibido no Festival de Cannes dentro da mostra competitiva, Pais e filhos ganhou por mérito o Prêmio Especial do Júri e só não saiu consagrado do evento porque tinha no meio do caminho uma pedra chamada Azul é a cor mais quente. Mas agradou Steven Spielberg – então presidente do júri -, que comprou os direitos da fita e logo vai sair uma versão novinha em folha desse drama made in USA. Até porque é o tipo de enredo lacrimoso que agrada muito o diretor de A lista de Schindler e o E. T. adora, mas duvido que ele atinja o nível de comedimento e sensibilidade de Koreeda nessa história.

Trazendo para o olhar do espectador um Japão intimista, bem diferente daquele que estamos acostumados a ver, com suas luzes de neons ofuscantes e agitação cosmopolita, Koreeda se aproxima muito aqui do cinema família do mestre Yasujiro Ozu. Confesso que conheço pouco, os trabalhos do mestre Ozu, um ou dois filmes que vi numa mostra do Farani ali na extinta Academia de Tênis. E nunca tinha ouvido falar de Hirokazu Koreeda, de quem virei grande fã. Interessante e comovente como ele trabalha a psicologia do afeto em seu filme. Provando que o amor que se recebe e bem mais precioso do que aquele que se compra.

* Este texto foi escrito ao som de: Automatic for the people (R.E.M. – 1992)

Automatic for the people

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