Diretores – Roman Polanski

O cineasta franco-polonês no auge da carreira: "Quero ser julgado pelo meu trabalho".

O cineasta franco-polonês no auge da carreira: “Quero ser julgado pelo meu trabalho”.

Ao contrário de boa parte das pessoas, não consigo pensar em Roman Polanski e ter na minha cabeça nada além do que sua preciosa coleção de obras-primas do cinema. Então, se você é do tipo que ainda acha que ele comeu não sei quem no passado uma banana enorme. “Eu gostaria de ser julgado pelo meu trabalho e não pela minha vida”, disse ele certa vez, a respeito da situação incômoda.

Bem, para mim, ele será sempre o cineasta que melhor retratou a claustrofobia humana nas telas. Sim, o espaço recluso como metáfora da vida em conflito, a opressão do sistema esmagada entre quatro paredes. E como li recentemente a biografia do cineasta escrita por Christopher Sandford, o texto de hoje é dedicado a esse polaco infernal e seus filmes inquietantes.

Acho que como todo mundo, fui apresentado à filmografia do cineasta por meio de O bebê de Rosemary, seu primeiro filme em Hollywood que é, digamos assim, uma espécie de cartão de apresentação aos cinéfilos. Mas o mais marcante para mim na minha relação com Polanski é de uma sessão no Cine Brasília do filme Repulsa ao sexo, entre baratas kafkanianas. Inesquecível os dois. As baratas kafkanianas de Brasília e o filme.

Top Five

Chinatown (1974) – Em todos os aspectos o filme é uma verdadeira aula de cinema. Roteiro Chinatownprimoroso – uma cortesia de Robert Towne -, fotografia deslumbrante e atores impecáveis. Daí tem o olhar inteligente e provocador do cineasta desconstruindo o gênero noir para construir segundo sua visão. O cinema segundo Roman Polanski.

Repulsa ao sexo (1965) – Influências de Hitchcock turbinada por dose excessiva de terror psicológico o filme é de uma densidade perturbadora com paredes rachando, bicho apodrecendo e outras bizarrices mais. O sucesso da fita selo de vez o passaporte do cineasta para Hollywood. Mas, please, alguém aí poderia me dizer o que diabos são aqueles três velhinhos tocando instrumentos estranhos pelas ruas de Londres?

Faca na água (1962) – Rodado ainda na Polônia, o que me encanta no filme é o clima nouvelle vague. Só mesmo Polanski para promover um intrigante triângulo amoroso num passeio de barco. O resultado é perturbador do ponto de vista moral.

O bebê de Rosemary (1968) – De longe é o trabalho mais importante e afamado do diretor que aceitou ir para Hollywood, mas não se vendeu. Fico incomodado até hoje com a sutileza em que ele vai apresentando o terror na trama.

O Pianista (2002) – Assim como Chinatown, esse comovente drama de guerra respinga cinema em seus 150 minutos de filme. Incrível o toque de lirismo por entre temas como solidão, humilhação e holocausto.

* Este texto foi escrito ao som de: Between the Buttons (The Rolling Stones – 1967)

Between the buttons

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