Metido em encrencas (1988)

Matthew Broderick ao fundo, fazendo jus ao título em português do filme...

Matthew Broderick ao fundo, fazendo jus ao título em português do filme…

O título em português até parece ter sido escrito para mim. Mas conta a história de Eugene Jerome (Mathew Broderick), um jovem aspirante a escritor que vai parar numa base de treinamento no Mississipi. Lá sua missão é aprender a matar gente no Pacífico, durante a 2ª Guerra Mundial. “Acho que estamos num campo de concentração”, debocha da própria desgraça ele, exalando o típico humor judeu.

Só que o Sargento durão Toomey (Christopher Walken) vai garantir que o lugar seja pior do que Auschwitz e começa a transformar o pelotão formado por molengas mimados em soldados. “A disciplina vai ganhar a guerra”, ensina com a arrogante autoridade dos militares.

Mas acontece que a tarefa não será nada fácil e, dia e noite, noite e dia, esse grupo de jovens vão sofrer o pão que o diabo amassou na mão do oficial. Cada momento e acontecimento relevante desses dias de cães serão registrados por Jerome em no diário que carrega como se fosse uma joia. Coisas como a perda da virgindade, os beijos molhados da bela Daisy, as brigas entre os colegas, a condição de judeu, o medo da morte, a saudade de casa, a indignação com a rotina militar, enfim, a raiva mortal do sargento Toomey.

Um dia alguém descobre seu caderno de anotações dando sopa no lugar e todos na caserna Metido em encrencas 2ficam sabendo o que Eugene realmente pensa de cada um, azedando ainda mais sua situação entre os colegas. Quando sentimentos como anti-semitismo e homossexualismo veem à tona, o clima passa de sério a dramático.

Dirigido por Mike Nichols (A primeira noite de um homem ­– 1967), Metido em encrencas tinha tudo para ser mais um daqueles filmes de guerra ou recrutas debiloídes onde o mais forte massacra os oprimidos. Mas todos os clichês previsíveis caem por terra graças ao espirituoso texto de Neil Simon, o dramaturgo de maior sucesso financeiro da história do teatro norte-americano, de quem o roteiro é adaptado para as telas.

Habilidoso em tratar o absurdo do cotidiano, Simon, um judeu com humor negro acima da média, é autor do texto de uma de minhas comédias prediletas, O estranho casal (1968), protagonizada por Jack Lemmon e Walter Matthau. Aqui, ele projeta seus dias de soldado a partir da atuação engraçada e correta de Matthew Broderick, uma espécie, digamos assim, de Jerry Lewis comedido.

Na condição de antagonista, resta a Christopher Walken dar vida a um vilão mais digno de pena, completamente sem firula e afetação.

* Este texto foi escrito ao som de: The Big Bang!: The Best of the MC5 (2000)

MC 5

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