As melhores entrevistas da Rolling Stone

Um das estrelas do New Journalism, Tom Wolfe revela a inspiração de seu estilo dândi

Uma das estrelas do New Journalism, Tom Wolfe foi entrevistado em 1980

Um dia, fui num supermercado ali no Sudoeste e esbarrei com uma prateleira cheia de livros. Juro que pensei que estava no lugar errado. Enquanto ninguém estava olhando me belisquei duas ou três vezes, me dando conta de que era a mais crassa, pura e hedionda verdade. Sim, hoje os supermercados vendem livros aos montões. Claro que a maioria é uma porcaria, mas se você garimpar aqui e acolá pode encontrar coisas boas.

Foi assim que adquiri a edição de 2007 das melhores entrevistas da mítica revista Rolling Stone. Confesso que fui fisgado pela capa estilosa. Uma das mais importantes publicações de sua geração, desde 1967 em atividade, a Rolling Stone ficou famosa por suas entrevistas com grandes personalidades da música, do cinema, da literatura, da política, enfim, até com grandes líderes religiosos, como o Dalai Lama.

Editadas por Joe Levy e Jann S. Wenner – esse último o fundador – o livro traz 40 bate-papos maneiros realizados pelos grandes nomes da imprensa de então. Gente como Ben Fong-Torres, Greil Marcus e Cameron Crowe, que acabaria abiscoitando um emprego na prestigiada revista depois de conseguir o furo de falar com o canadense Neil Young, então de mal com imprensa.

“Eles conversaram por tanto tempo que Cameron ficou sem fitas, fazendo com que Neil emprestasse algumas das suas, onde havia canções alternativas do cantor”, revela na introdução, Jann S. Wenner, que realizou a primeira entrevista da Rolling Stone em 1968, com Pete Townshend. Na ocasião, o guitarrista revelaria suas ideias para o álbum conceitual, Tommy. “Pete era articulado, apaixonado e perdido em seus pensamentos. Ele falou sobre o próximo disco do The Who, um projeto que ele estava chamando de ‘Deaf, dumb and Blind Boy’”, revela o editor.

Meu amigo Pedrão diz que a tradução do livro é horrível. Como meu inglês é de quinta série, Rolling Stonenem notei. De qualquer forma gostei de muitas entrevistas, sobretudo pelas revelações bacanas de astros que estavam no auge de suas carreiras. Recém-premiado com o Oscar de Melhor Ator Coadjuvante por Laços de ternura, Jack Nicholson fala em 1984 de seus problemas com as críticas, sobre envelhecer e de como descobriu que era filho ilegítimo.

“Fiquei pasmo”, disse o ator, que pediu ajuda ao diretor Mike Nichols, com quem filmava O golpe do baú. “Eu disse ao Mike: ‘Fique de olho em mim. Não me deixe fugir com nada’”, revela.

Já a estrela do New journalism Tom Wolfe, explica em 1980 que a maneira dândi de se vestir foi inspirada num dos papéis de vilão do ator Richard Widmark. “A primeira vez que me lembro de interessar realmente por roupas foi quando vi The Kiss of death (1947).

Contratado para escrever sobre os bastidores da turnê Exile on Main St., dos Rolling Stones, Truman Capote desistiu da empreitada se dizendo incapaz da missão. Para não perder a viagem, a revista sugeriu que Andy Warhol o entrevistasse, perguntando, entre outras coisas, porque ele não conseguiu escrever sobre Jagger e Cia. O resultado seria um hilário áudio-documentário com poucas conversas norteadas pelo número do contador do gravador.

“Vou te dizer uma coisa sobre o Mick Jagger. Ele é fascinante no sentindo de ser um dos artistas mais completos que já vi. (…) Ele é uma das poucas pessoas que consegue ser extrovertida e depois reverter para uma introvertida”, diz surpreendido o autor de A sangue frio.

* Este texto foi escrito ao som de: Tommy (The Who – 1969)

Tommy Album

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