“I know not what tomorrow will bring”

Nada mais na vida me deprime do que festa de fim de ano, é quando quero desaparecer...

Nada mais na vida me deprime do que festa de fim de ano, é quando quero desaparecer…

Acho que 2013 foi um ano bom, mas não tenho nenhuma ilusão de que o ano que vem será melhor. Primeiro porque não sou hipócrita e nem ingênuo. Segundo porque não ando com muito saco pra nada. Nem comigo mesmo. De modo que vou deixando a vida me levar e vou indo até onde der, aonde puder, até quando aguentar. Se 2014 for melhor ou no mínimo bom tudo bem, que sorte e a vida segue na mesma. Estrelas são estrelas e o céu é azul, que diferença faz?

Sabe, não suporto essa frescura de virada do ano com foguetório no meu ouvido, sorriso engessado no rosto alheio, todo mundo fantasiado de fantasma e uma felicidade fake de cassino para, no dia seguinte, a gente continuar a agir do mesmo jeito que antes. Ou até pior. Como se esse rito de passagem não significasse nada. Como não significa nada porque é só mais um dia depois do outro e nada mais.

Também não sou de ficar fazendo listinhas de metas a serem cumpridas ou qualquer bobagem do tipo. Se já está uma barra viver, imagina se vou ficar impondo limites, imposições ou regras. Que as coisas fluem naturalmente, se forçar a barra, me caro, fica pior. Aprendi isso com uma menina que me deu um fora daqueles. Ela disse que eu era um sujeito que “forçava demais a amizade” e esse foi o fora mais estiloso, autêntico e esnobe que levei na minha vida. Nunca esqueci, foi uma lição para a vida toda.

PessoaBem, ainda estou tentando desenvolver um estilo de vida que não precise necessariamente da minha existência. É um troço meio complicado de conseguir e, se um dia eu descobri como se faz isso, não vou contar pra ninguém, é claro. E para aqueles que não entenderam o que eu quis dizer, é mais ou menos como querer desaparecer durante essas festas de fim de ano. Tipo assim, ir para um lugar no fim do mundo, esconder numa choupana no cume do nada. Entrar debaixo da terra.

Ontem fui fazer caminhada no parque e me deu um tédio tão grande, mas tão grande que pensei que fosse ter uma overdose de falta de ímpeto. Ia andando com minha garrafinha matusquela de água ao redor daquelas pessoas que não me diziam nada, não representavam nada para mim, com o tênis me calejando os pés, e querendo ficar invisível. Daí, comecei a pensar na vida e as coisas só pioraram.

Putz, nada mais na vida me deprime do que festa de fim de ano porque faz até uma simples caminhada no parque virar pura chateação. É como se eu estive em Marte ou numa outra estação. Pois bem, outro dia, numa mesa de bar, me perguntaram o que eu queria ser na próxima encarnação. Respondi que não queria nem aparecer aqui. Acho que é por aí e tem um verso do grande Fernando Pessoa que sintetiza de forma perfeita o que quero dizer.

“I know not what tomorrow will bring”.

Os Beatles é que tinham razão. “Tomorrow never knows”.

* Este texto foi escrito ao som de: Crocodiles (Echo and The Bunnymen – 1980)

Crocodiles

 

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2 comentários sobre ““I know not what tomorrow will bring”

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