Eu não acredito em Natal!

Eu não acredito em Natal pq o sujeito passa o ano inteiro como lobo e no final do ano vira cordeiro...

Eu não acredito em Natal pq o sujeito passa o ano inteiro como lobo e no final do ano vira cordeiro…

Eu não acredito em Natal. E sabe por quê? Ora pelotas, porque o ser humano é formidável, né? Passa o ano inteiro agindo como lobo e quando chega o fim de ano, por conta do espírito natalino ou qualquer bobagem do tipo, se comporta como cordeiro. Eu, não. Eu sou mau e sem escrúpulos o ano inteiro, os 365 dias do ano e tenho orgulho disso. Além de espelho, lá em casa nunca faltou óleo de peroba. Por isso que quero que Papai Noel, o espírito natalino e todas essas fantasias de fim de ano explodam.

Revoltado? Quem? Eu? Imagina! Só tenho senso de ridículo. Sim, porque é só chegar o Natal e as festas de Fim de Ano e as pessoas ficam mais cínicas e hipócritas. Só que elas não se dão conta desse fenômeno comportamental. Agem como autistas afetados, igual a muitos políticos ou gestores de merda.

E daí me vem o governo com a maior canalhice me enganar dizendo que o país está ok, que tudo está bem, enquanto que nos sabemos que não está nada bem. Está tudo uma merda, uma joça daquelas e o povo burro e medíocre, sorriso amarelo estampado no rosto, garantindo que está tudo supimpa, as mil maravilhas.

Natal cinzaMas fique calmo meu querido porque ano que vem tem mais, a festa continua, mais do mesmo porque é ano de eleição, ano de Copa do Mundo e o escambau, enfim, uma esculhambação total, uma putaria geral. De modo que espero não estar aqui para ver tudo isso de novo. Não eu que já estou velho, com barba branca na cara e tudo o mais, sem o menor saco – fazendo trocadilho com a canção do The Who -, para ser enganado de novo.

Sabe aquela canção do John Lennon do primeiro disco dele, God? Aquela que diz que “deus” é um conceito para medir nossa dor? Pois é meu chapa, estou assim como ele, ou seja, não ando acreditando em nada, nem mesmo em mim. Sobretudo em mim. Ainda mais em mim. E que a dor carcomida e fétida me coma os ossos como um câncer, só para saber se eu existo, se eu estou aqui. Só para me sentir.

Eu não acredito em Natal. E não acredito porque é uma data que me traz tristes recordações e este ano estou mais triste ainda do que nos natais anteriores porque perdi um amigo cedo demais. E nós não sabemos o que fazer porque deus não existe e Papai Noel não pode me trazer a cura dos males da vida naquele saco fajuto que ele carrega nas costas para cima e para baixo. Aquele saco de merda cheio de sonhos esfacelados e promessas mal cumpridas.

Bem, ontem passei a tarde inteira atrás de presentes para as minhas sobrinhas e aquelas pessoas que acredito, que são poucas, tão poucas que conto nos dedos de uma das minhas mãos. Sim, enquanto ninguém estava olhando, me disfarcei de cordeiro do ano e lá estava eu enfrentado fila, estacionamento cheio, chuva fria, as musiquinhas natalinas irritantes no meu ouvido só para garantir o Natal feliz das minhas crianças. Daquelas pessoas que amo. Mesmo assim, eu não acredito no Natal.

* Este texto foi escrito ao som de: Mind games (John Lennon – 1973)

Mind games

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