Amar foi minha ruína (1945)

A diabólica Ellen Berent, prestes a aprontar mais uma das suas...

A diabólica Ellen Berent, prestes a aprontar mais uma das suas…

E quem disse que amor em excesso não pode matar? Que o diga Ellen Berent (Gene Tierney), a diabólica megera do drama, Amar foi minha ruína (Leave her to heaven – 1945), filmaço exibido outro dia no telecine cult. É evidente que ninguém faz novelas como a gente, mas essa trama de 1945 dirigido por John M. Stahl não ficaria muito atrás de nenhum folhetim escrito por Janete Clair ou Gilberto Braga. E ao observar que a fita é dos anos 40 ficamos mais Impressionado ainda.

Baseado em fatos reais, o filme conta a história do amor doentio da socialite Ellen Berent pelo escritor Richard Harland (Cornel Wilde). Os dois se conhecem no trem e o interesse mútuo é imediato. Ela é uma autêntica garota mimada que sempre teve tudo na vida e nunca gostou de perder. Ele um escritor de sucesso que dedica boa parte de sua atenção e afeto à literatura e com o irmão deficiente (Darryl Hickman).

Dona de um comportamento exótico e intenso que fascina Richard, o espectador não sabe no começo quem ela é direito e para quem veio. Logo Ellen demonstra ser uma vilã de novela das oito, exibido um ciúme doentio de todos aqueles que se aproximam dele ou desperte interesse de seu amado. Assim, ela não vê com bons olhos o carinho dele com o irmão doente, com um grande amigo de infância, enfim, até com a própria irmã Ruth (Jeanne Craine), de quem Richard gosta muito e dedica o livro que acaba de escrever.

“Ela ama demais e isso não é bom”, diz alguém próximo ao casal.Leave her to heaven 2

Mas as coisas começam a ficar bem feias quando ela transforma o ciúme patológico em maldade, colocando em risco a vida de pessoas inocentes, entre elas o irmão deficiente de Richard e o bebê que carrega na barriga. A cena clímax do lago em que ela apronta uma das suas, é de chocar até satanás. Ao ser desmascarada, Ellen tenta tirar a própria vida, arruinando o destino daquele que ela, emotivamente equivocada, sempre defendeu e lutou.

Bastante contundente para época e até impactante para os dias de hoje por abordar de forma escancarada temas como suicídio, Amar foi minha ruína, que traz participação de Vincent Price, antecedeu, de certo modo, o perturbador enredo de Um lugar ao Sol, filme de 1951 de George Stevens com Elizabeth Taylor e Montgomery Clift. Foi não apenas a maior bilheteria dos estúdios Fox daquele ano, como de toda a década. Rendeu uma indicação ao Oscar de melhor atriz pela atuação soberba de Gene Tierney e uma estatueta merecida pela bela e leitosa fotografia. Aos cinéfilos de plantão, vale traçar um paralelo com clássico

Eu citei as novelas globais, mas há muito de Shakespeare no filme, sobretudo no título, tirada de uma frase de Hamlet, quando o fantasma pede ao herói atormentado que desiste de sua vingança contra a Rainha Gertrude:

“Que o céu a julgue”, teria dito o soturno ser.

* Este texto foi escrito ao som de: American idiot (Green Day – 2004)

American Idiot

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