A vida secreta de Walter Mitty (2013)

A primeira vez que consegui assistir um film do ator até o fim

Essa foi a primeira vez que consegui assistir um filme do Ben  Stiller até o fim

Que eu me lembre, nunca consegui assisti a um filme do Ben Stiller até o fim. Para falar a verdade, tive dificuldades em lembrar o nome do ator e diretor logo depois que sai da sessão. E estou dizendo tudo isso só para enfatizar que não gosto nem um pouco do cara. Acho o artista boboca, um ator medíocre e sem nenhum talento para comédia. Paciência se Hollywood não pensa o mesmo. De qualquer forma, fui ver A vida secreta de Walter Mitty e gostei. Tanto que assisti ao filme até o filme. O primeiro filme de Ben Stiller que vi até o final.

Na fita ele é Walter Mitty, um sujeito comum como outro qualquer que costumamos esbarrar por aí entediado com as mesmices da vida. Até porque, a vida dele é um tédio só. Por isso que, volta e meia, ele fantasia a realidade criando uma grande confusão entre o que é de fato e o que deveria ser.

“Você é um sujeito com muita imaginação, sabia?”, diz um colega de trabalho tirando sarro.

Há 16 anos Walter Mitty trabalha no departamento de fotografia da prestigiada revista Life (que na versão impressa acabou em 2007) e está completamenet apaixonado pela recém-contratada Cheryl (KristenWiig). Ela é mãe solteira e, assim como ele, saiu de uma loja de biscoitos em busca de algo melhor. Acontece que a prestigiada publicação está com os dias contados porque o papel não é coisa do futuro. Logo, para enxugar o quadro, ele e um grupo considerável de pessoas serão demitidos. Mas até que isso de fato aconteça, muita água irá passar por debaixo da ponte, isso porque ele é o encarregado do negativo que resultará na última capa da publicação que se notabilizou pelos trabalhos de fotojornalismo.

Mitty 2Bem, baseado em conto de 1939 escrito pelo cartunista norte-americano James Thurber, texto este publicado na revista The New Yorker, o filme discute de forma vaga e pretensiosa, diria, os meandros entre a realidade e a fantasia. Mas confesso que me identifiquei com o personagem de Stiller por idealizar ao extremo minhas paixões platônicas. Essa coisa piegas meio Benjamim Button de querer envelhecer e morrer com a mulher amada ao lado até os últimos dias. O que só acontece, nós sabemos, no cinema.

No filme, Walter Mitty imagina dando socos e pontapés no chefe, salvando o cachorrinho perneta de sua paixão de uma explosão, lutando com tubarão nos mares da Islândia ou surfando num skate board no lado mais frio do planeta. A cada desvario desse os efeitos especiais entram em cena, desvirtuando sua rotina tal qual um filme de super herói. Um dia a ficha cai e a realidade, tão fria e cruel quanto o frio implacável do Polo Norte, lhe chama à verdade.

Quem espera ver no filme uma daquelas comédias do ator ou se deleitar com as piadas do comediante de sucessos como Uma noite no museu e Entrando numa fria aperte o break. Também pode tirar o cavalo da chuva os que achem que astro cômico seja uma pessoa séria depois deste projeto. Não é uma coisa nem outra. Ele apenas teve a sorte de acertar pelo menos uma vez na vida.

Para mim, bom mesmo são as participações da veterana Shirley McLaine e do charmoso Sean Penn, além claro, da inclusão na trilha de Space Oddity, o clássico de David Bowie que o catapultou ao estrelato.

* Este texto foi escrito ao som de: Space Oddity (David Bowie – 1969)

Space Oditty

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