Jukebox Sentimental – Monday, Monday

Os The Mamas and The Papas em atividade, no auge da carreira, trabalho até na segunda

Os The Mamas and The Papas em atividade, no auge da carreira, trabalho até na segunda

Monday, Monday dos The Mamas and The Papas está vinculado em minhas memórias às passeatas do impeachment contra o Collor e à formidável minissérie Anos Rebeldes. Por quê?! Ora bolas… E quem não se lembra da canção embalando os aguerridos personagens da trama de Gilberto Braga? Para, rararará, Para, rararará… Posso está enganado, mas essa talvez seja uma das introduções mais infernal do pop rock com aquela vocal fantástico do grupo.

Bem, quando eu era mais jovem do que sou agora era sonhador, achava que fosse mudar o mundo e tal, por isso saí orgulhoso de mim mesmo e de meus colegas pelas ruas com cara pintada e deu no que deu. No meu inconsciente as passeatas me transportavam para os anos 60, época de transformação, de Beatles, The Mamas and the Papas, Monday, Monday e, claro, da minissérie Anos rebeldes.

Claro que a realidade é bem diferente e dura e quando a ficha caiu chorei lágrimas de esguicho na calçada da amargura. Mesmo assim, às vezes me permito encapsular em momentos e sensações mágicas como esses, só para me permitir sobreviver um dia de cada vez. “Oh, manhã de segunda, a manhã de segunda não poderia garantir/Que na noite de segunda você ainda estaria aqui comigo”, diz um trecho da letra da canção escrita por John Phillips, líder e principal compositor da banda, que contava ainda com a gatinha Michelle, sua esposa.

Mas para ser bem sincero, admito que Monday, Monday não seja a canção que mais gosto do Monday Mondaygrupo, não mesmo. Para falar a verdade, as interpretações que a banda deu para grandes sucessos de outros artistas me tocam mais.

Gosto, por exemplo, da vibrante versão de Spanish Harlem da dupla, Jerry Leiber e Phil Spector -, da singeleza de faixas como Dedicated to the one Love e Dream a little dream of me, além da batida, My girl. Dancing in the street, o quente sucesso da Motown é de arrepiar. E tem o contagiante folk metalingüístico Creeque Alley.

Claro que California dreamin’ é um hino, um clássico daquela doida cena de Haight-Ashbury, em São Francisco, mas bem sintomático para aqueles que vivem aquela realidade e que saber? Nós tempos aqui Tom Jobim e o Rio de janeiro que para mim já é mais do que suficiente. Prefiro o tom épico da obscura California Heartquake e reloginho metafísico de Got a feelin’, mas o que eu queria mesmo era dar uns beijinhos na gostosinha da Michelle Phillips, sorte do Jack Nicholson.

Mas voltando à Monday, Monday, a música está impregnada em meu inconsciente porque é símbolo de um pedaço da minha vida que me marcou muito. Talvez o período mais feliz dessa existência cheia de altos e baixos até aqui, não sei. É uma das canções que me levam na asa da saudade para um período em que a inocência e a ingenuidade meio que, sorrateiramente, se espreitavam por entre a pesada fresta da realidade.

“Segunda, segunda/Tão boa para mim”. Será?

* Este texto foi escrito ao som de: If you can believe your eyes and ears (The Mamas and the Papas – 1966)

Mamas and Papas

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