O Hobbit – A desolação de Smaug

O Bilbo ladrão e os feiosos anões de Tolkien esperando a fúria de Smaug

O Bilbo ladrão e os feiosos anões de Tolkien esperando pela fúria de Smaug

Acho que estou ficando velho, de barba branca na cara e tudo mais, de modo que não tenho mais saco para certas coisas na vida. Uma delas, por exemplo, é assistir filmes em 3D que, para mim, é uma piada muita da sem graça. Primeiro porque minhas vistas ficam péssimas depois da sessão. Segundo porque acho que é uma oportunidade dos espertinhos da indústria cinematográfica de tirar dinheiro de trouxa. Por isso que fui ver O hobbit – A desolação de Smaug puto da vida.

Bom, se eu ia ficar puto da vida então porque fui ver o filme? Ora bolas, se era para escrever sobre uma estreia, que fosse então sobre a mais esperada do ano. Segundo filme da trilogia da obra publicada em 1937, por J. R. R. Tolkien, essa produção épica de quase três horas de duração dá sequência às aventuras de um grupo de anões que estão em busca de sua terra Natal. Essa grande jornada rumo ao desconhecido será realizada com a ajuda do grande mago Gandalf (Ian McKellen) e um hobbit ladrão vivido pelo espetacular Martin Freeman. E quer saber, desde Judas Iscariotes que um ladrão não tinha tanta exposição assim nas telonas.

Como no primeiro filme da série, até agora não entendi muito porque eles estão nessa situação. O enredo intricado, cheio de personagens e subtramas não facilitam muito as coisas. E, assim como na primeira aventura da série, mais uma vez traço aqui o paralelo entre os anões de Tolkien e os judeus. Tanto pela busca desesperada por suas origens, quanto pela ganância e apreço desenfreado por dinheiro/ tesouro. “Não gosto de anões. São gananciosos e cegos”, diz um dos personagens feiosos da fita.O Hobbit

Aliás, o que não falta nessas fantasias de Tolkien viabilizadas pelo cineasta neozelandês Peter Jackson são criaturas horrendas. Até o Orlando Bloom está uma esquisitice só, e nem sei direito qual personagem ele vive na trama, de tão obscuro que o galã se encontra. Humanos deformados, florestas doentes, feras medonhas de pedra e carne e osso, criaturas que se escondem o tempo todo nas sombras. Estão tudo lá, sem tirar nem por.

Contudo, tirando as bizarrices, a premissa da história é um prato cheio para que se possam explorar os efeitos visuais tão em voga no cinema de uns tempos para cá. E quer saber? Nesse tipo de proposta acho altamente válido e pertinente. O que me irrita, me deixa babando na gravata, é quando querem fazer da vida real algo surrealista como acontece em 300.

Assim, as melhores passagens de A desolação de Smaug, são as turbulentas e engenhosas cenas de perseguição e batalha. A sequencia em que os Orcs correm atrás dos anões, rio abaixo, é eletrizante, tão divertida quanto uma daquelas decidas fulminantes nos tobogãs do Beach Park. Os labirintos da sala do tesouro, com milhões e milhões de moedas escorrendo sob cascatas em cima do malvado Smaug é um assombro do ponto de vista visual, o que faz do trabalho de direção de arte aqui um primor só. Preste atenção na sombria cenografia da cidade de madeira abandonada num lago numa espécie de Veneza do Mal.

Em meio a tudo isso, somos brindados ainda com atuações shakespearianas do elenco encabeçado pelo britânico Ian McKellen, imprimindo um toque de seriedade à fantasia tolkieniana.

* Este texto foi escrito ao som de: Yankee Hotel Foxtrot (Wilco – 2002)

Wilco

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