O aventureiro de Hong Kong (1955)

Glabe e Susan, amantes em busca da felicidade na China comunista

Clark Glabe e Susan Hayward, amantes em busca da felicidade na China comunista dos anos 50

Clark Glabe tinha orelhas grandes do tipo Dumbo e exibia um bigodinho de latin lover ridículo, mas mesmo assim a mulherada chovia em cima dele. E sabe por quê? Porque ele tinha charme e charme é tudo meu chapa. Daí o fato do cara ter sido um dos maiores galãs da história do cinema de todos os tempos. Mas fora isso, Glabe também tinha talento de sobra e se consagraria como ator em grandes filmes, alguns obscuros, como o drama O aventureiro de Hong Kong, que pesquei outro dia no Telecine Cult.

A história se passa nos anos 50, como o título em português entrega, em Hong Kong, território inglês dentro da comunista China. E só por isso lá o ex-soldado Hank Lee (Clark Glabe) pôde fazer fortuna explorando contrabando, mas o contraventor está na mira das autoridades britânicas, mais especificamente do inspetor Merrywearther (Michael Rennie).

Dono de um grande império, um dia, Hank Lee recebe a visita inusitada da elegante Jane Hoyt (Susan Hayward), um mulher desesperada que pede socorro em nome do marido fotógrafo (Gene Barry), preso na região acusado, equivocadamente, de crime de guerra.

Encantado pela moça, Lee promete ajudar a bela esposa aflita na esperança de ficar com ela no final. E é nesse clima de suspense eminente do adultério anunciado que ficamos na expectativa até o último minuto da fita. Afinal, a bela Jane irá deixar o marido a ver navios depois de mover mundos e fundos para encontrá-lo?

Soldier of fortune“Queria que você não tivesse feito isso. Primeiro porque Louis não está aqui para se defender”, diz ela desconcertada, após ganhar um beijo-surpresa do “recente” amante. “Estou começando a desejar que ele estivesse”, rebate ele na maior cara de pau.

De qualquer forma, a premissa do enredo de Ernest K. Gann baseado em obra homônima conduzido pelo diretor canadense Edward Dmytryk (Os deuses vencidos), é de uma audácia interessante. Eu, por amor, seria capaz de ajudar o marido da mulher que desejo só para vê-la feliz, e acredito que talvez essa seja a grande motivação de Hank Lee ao ajudar sua musa Jane Hoyt. Alguém aí se lembra do altruísta carrancudo Rick, o grande herói do clássico dos clássicos, Casablanca?

As cenas filmadas nas ruas de Hong Kong, com sua população bem atípica é uma belezura só e, além do charmoso casal protagonista da trama, O aventureiro de Hong Kong conta com outras atuações marcantes, entre elas a do ator inglês Michael Rennie, famoso pelo papel do alienígena em O dia em que a Terra parou (1951).  A passagem em que ele passa para o outro lado da lei, ajudando o mal-intencionado Lee é impagável. E o ator britânico quase ficava em pé de igualdade quando o assunto era charme.

Primeiro projeto de Clark Glabe fora da MGM, o astro quase não aceitou fazer o filme por se achar velho demais para o papel do ex-combatente contrabandista. Mudou de ideia porque a história refletia sua própria posição política. Além de bonito, um astro com posições convictas. Como se vê, definitivamente não faz mais atores como antigamente.

* Este texto foi escrito ao som de: Helen of Troy (John Cale – 1975)

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