Pete Townshend – A autobiografia

The Who e o movimento mod lançando moda na música e no jeito de vestir

The Who e o movimento mod lançando moda na música e no jeito de vestir

Era começo de 1962 quando um jovem cruzou a rua com sua guitarra atravessada no corpo, mal contendo de ansiedade para fazer um teste nos The Detours, banda sensação daquele outro lado da cidade. Ao chegar à porta, o sujeito de nariz proeminente vê uma garota loura sair em sua direção aos prantos. Mirando o estojo da guitarra do rapaz ela enxuga as lágrimas e o fulmina com rancor juvenil:

– Está indo para casa do Roger?

– Sim.

– Bem, pode dizer isso para ele: sou eu ou aquela maldita guitarra.

Quando deu o recado ao amigo que o esperava tão ansioso quanto ele, pensou que sua carreira como guitarrista estava encerrada ali.

– Ela que se dane. Entre.

E assim foi o início de uma das mais importantes bandas de rock dos anos 60 e meados dos anos 70, o The Who. O menino da guitarra em questão é ninguém menos do que Pete Townshend, que se lembra desse episódio em sua autobiografia lançada recentemente no Brasil pela editora Globo.

The Who logoPara quem é vidrado em música como eu, sobretudo rock e fã da banda, a leitura está sendo agradabilíssima, deleite total. Mais ainda por conta das surpreendentes revelações de Townshend, talvez um dos mais importantes músicos de sua geração. Revelações que eu jamais pensei que fosse saber algum dia.

Na narrativa escrita com sinceridade perturbadora ele revela passagens dolorosas de sua vida como o suposto abuso sexual que sofreu quando criança, a bissexualidade e a acusação de pedofilia sofrida em 2003. Também conta como se livrou das aulas de balé imposta pela mãe graças ao machismo do pai e como, pouco a pouco, foi ganhando cada vez mais espaço dentro da banda como compositor e talentoso guitarrista.

“Sou um bebê da guerra, embora nunca a tenha conhecido”, diz logo nos primeiros capítulos, revelando a forte influência musical do pai, um músico de jazz que tocava saxofone e clarineta na orquestra da Força Aérea Britânica (RFA).

Como, aos seus ouvidos, Elvis soava meloso, “um bobão que cantava arrastado sobre cachorros”, Townshend se embriagou nas melodias do blues de Jimmy Reed, John Lee Hooker, Hubert Sumlin e Howlin’ Wolf. A certeza de que um dia integraria uma grande banda de rock se concretizou ao ouvir a evolução de uns meninos que tocava toda semana no Ealing Club, em Londres.

“Em 1963, os rumores sobre os Stones tinham se tornado lenda, não havia nenhuma dúvida de que essa era a banda a que deveríamos assistir”, lembra o guitarrista.

A identificação com o movimento mod grupo de jovens da classe operária da zona oeste londrina -, apresentado pelo namorado de uma das irmãs de Roger Daltrey, foi tão intensa, que Townshend ajudou a criar uma identidade própria para a banda a partir do movimento. “Os mods se ligava em moda, R & B, scooters e exibiam os mais recentes passos de dança”, explica.

* Este texto foi escrito ao som de: My generation (The Who – 1965)

The Who - My generation

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