Crô – O filme (2013)

Jogada oportunista da família Barreto ressuscita personagem de sucesso de Marcelo Serrado

Jogada oportunista da família Barreto ressuscita personagem de sucesso de Marcelo Serrado

Vai longe o tempo em que a família Barreto era uma referência positiva no cinema brasileiro. O Luiz Carlos Barreto, por exemplo, o Barretão, até um dos pioneiros do Cinema Novo foi na condição de diretor de fotografia de clássicos do movimento e os seus dois filhos – Bruno e Fábio, esse último em coma depois de um grave acidente em 2009 – bem nos primórdios da carreira, mas nos primórdios mesmo, fizeram bons filmes. Agora a trupe só quer saber de ganhar dinheiro à custa da burrice, ingenuidade e curiosidade do público. Sim, porque só as três coisas justificam o turbilhão de gente que está indo aos cinemas para ver Crô – O filme.

Dirigido por Bruno Barreto, o projeto, mais do que oportunista, é uma versão bem cara-de-pau para os cinemas da vida do mordomo mais famoso da televisão de todos os tempos vivido por Marcelo Serrado na novela Fina estampa (2011). Que o filme escrito por Aguinaldo Silva, o mesmo autor da novela, seja muito engraçado isso ninguém pode negar. Mas até onde vai o limite entre a felicidade do riso e a consciência da estupidez?

Fui levado a assistir ao filme pela minha afilhada de 12 anos que, como toda criança, adora o personagem e quem assistir ao filme terá essa convicção mais atenuada. Antes de começar a sessão perguntei a ela o que mais gostava no Crô e a resposta veio rápida e sincera: “Por que ele é engraçado!”.

E é isso mesmo. O gay afetado, na visão de um grupo que faz televisão e cinema é sinônimo deCrô 2 caricatura, e cabe à classe saber se isso é divertido ou não. Por enquanto tem sido bastante engraçado a julgar às milhares de pessoas que vêm lotando as sessões e se gargalhando entupidos de pipocas e hipocrisia.

Como sou meio burro, um pouco ingênuo e curioso pacas, lá estava eu rindo a torto e direito sem o saco de pipocas é claro, porque o cheio de pipoca misturado com o ar condicionado me deixa de estômago embrulhado, huuummm.

Depois de herdar uma herança milionária, Crodoaldo (Marcelo Serrado) desfruta os louros da riqueza em sua mansão kitsch ao lado do fiel motorista Zoiudo (Alexandre Nero). Mas como sua sina foi ser eterno escravo de uma deusa e a biba curte mesmo é servir e ser submisso, agora ela anda desesperada atrás de madames que queiram os seus serviços.

Muitas querem e por isso chove peruas em sua horta e o dilema de Crô é escolher a diva de seus sonhos. Quando uma ricaça emergente (Carolina Ferraz) que explora trabalho escravo de bolivianos em prol de sua confecção clandestina, cruza o seu caminho, plumas e paetês irão voar.

Fica evidente que a alma do filme é Marcelo Serrado e seu personagem caricato. O cara realmente se transforma, entra na persona, protagonizando uma série de situações divertidas e estapafúrdias dentro de um roteiro afetado e raso. Algumas cenas do filme são desnecessárias e de um mau gosto ululante, como a sequência de abertura que, até agora, não entendi porque está ali. Assim como as presenças de Ana Maria Braga e Ivete Sangalo que alguém cismou que é atriz. De resto, fica o charme e a elegância da linda e gostosa Carolina Ferraz, há muito tempo a diva dos meus sonhos. Essa sim, eu deixaria me escravizar para o resto da vida, eu serviria com muito gosto.

Só espero que, no futuro, não inventem de fazer um filme do Crô e do Fêlix (personagem gay de Mateus Solano em Amor à vida) juntos. Hummmmmmmm…

* Este texto foi escrito ao som de: You are the Quarry (Morrissey – 2004)
Morrissey

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